Prefeito de cidade goiana e sua mulher são encontrados mortos em chácara

Familiares e amigos do prefeito Daniel Antônio de Souza (PTB), de 50 anos, e da mulher dele, Elizeth Bruno de Barros, 40, ficaram surpresos e chocados com a morte do casal em uma chácara, em Matrinchã, na região noroeste de Goiás.

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Prefeito e a mulher são encontrados mortos em chácara (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Eles estavam ansiosos para encontrar as vítimas na festa de aniversário do gestor municipal, que estava marcada para o próximo sábado (8).

“Agora não tem mais, acabou. É inacreditável. Eles eram muito queridos”, disse ao G1 um dos nove irmãos do prefeito, Cornélio Gaudino de Souza, de 43 anos.

Amigos relataram que a cidade de 4,5 mil habitantes “parou” com o crime, ocorrido na terça-feira (4). As vítimas foram encontradas com cortes nos pescoços na chácara em que moravam. Segundo a família, o velório deve acontecer a partir das 8h desta quarta-feira (5), na Igreja Matriz, em Matrinchã. Já o enterro está previsto para as 16h, no Cemitério Municipal.

Humildes

Irmão de Elizeth, o locatário Ely Carlos Bruno de Barros, de 36 anos, conta que o casal estava junto há cerca de dez anos e era muito humilde e simples. “Eles não tinham maldade no coração”, completou.

O prefeito tinha duas filhas e a mulher, um filho. Todos de relacionamentos anteriores.

Amigo do filho da primeira-dama, o auxiliar administrativo Klisman Bruno do Nascimento disse que a vitima era quase uma mãe para ele também. “Ficamos muito abalados com a notícia. Estamos ainda bastante assustados com o que aconteceu e esperando respostas”, afirmou.

A assessora do prefeito, Maria Cecília Ribeiro Abdala, afirmou que na noite anterior ao crime, o casal fazia planos. “Eles diziam que tinham planos para a chácara, que queriam investir no lugar, entre outras ideias para o futuro”, afirmou.

O ex-prefeito da cidade Natalino Lucas contou que apoiou Daniel em sua candidatura. “Ele era muito competente em sua gestão. Uma pessoa muito humilde”, afirmou. Segundo ele, a comunidade de Matrinchã ficou chocada com a notícia. “Todos ficaram muito horrorizados ao saber da morte deles. A cidade parou”, disse.

Crime

O prefeito e a esposa foram encontrados na manhã de terça-feira (4) com cortes nas gargantas provocados por uma arma branca. A perícia concluiu que a mulher do gestor também tinha um afundamento no crânio, que pode ter sido causado provocado pelo golpe de algum objeto.

Rastros de sangue foram encontrados do lado de fora da casa. Para a polícia, isso indica que pelo menos um deles foi morto na parte externa da residência e arrastado para dentro da casa.

Os corpos foram encontrados por dois assessores. O prefeito era aguardado para uma reunião, mas, como estava demorando a chegar, os funcionários pediram que um motorista fosse buscá-lo. Segundo a assessora de gabinete do gestor, Maria Cecília Ribeiro, quando o condutor chegou ao local, viu marcas de sangue e chamou os assessores.

Os corpos do casal foram levados de Matrinchã para Goiânia pelo Instituto Medico Legal (IML) na tarde do dia do crime. Após a realização de exames, eles foram liberados no fim da noite.

A AGM (Associação Goiana de Municípios) informou, em nota, que está “enlutada” e “lamenta o fato”. O presidente do órgão, Cleudes Bernardes Baré, disse que tomou conhecimento da notícia quando viajava para Brasília, onde cumpriria uma agenda junto a Confederação Nacional de Municípios. Logo que soube, ele retornou a Goiânia para acompanhar o desenrolar da investigação.

Desvio de verba

O prefeito era investigado por desvio de verba pública, segundo o secretário municipal de Agricultura, Moacir Lucas. A Câmara de Vereadores abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar essas irregularidades, mas ainda analisava documentos apresentados pelo gestor.

Segundo o secretário do município, os vereadores apuravam denúncias feitas por moradores de que o prefeito desviava verbas públicas nos contratos de abastecimentos de carros em postos de combustíveis e também na contratação de um farmacêutico. Porém, os políticos ainda analisavam as documentações.

“A denúncia foi feita em junho e, desde então, os vereadores estavam colhendo dados. O prefeito já tinha reunido toda documentação e entregou para a comissão. Eles ainda iam começar a analisar esses documentos”, explicou o secretário.

Moacir não acredita que essa investigação tenha ligação com o crime. “Não vejo que esse crime tenha ligações políticas, pois ele era carismático. As denúncias ainda estavam sendo apuradas e ele tinha toda documentação, mas ainda não sabemos o que motivou esse assassinato”, disse.

A Polícia Civil não descarta nenhuma hipótese. Os investigadores informaram ainda que não têm informações sobre os processos de improbidade administrativa contra o político.

G1

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