PP não atendido por Marquinhos, leva embate entre Bernal e vereadores sobre “oposição”

Lúcio Borges

Vereadores Valdir Gomes, Dharleng e Cazuza na sessão ordinária da Câmara hoje (Foto: Lúcio Borges)

O PP (Partido Progressista) em Campo Grande, do ex-prefeito Alcides Bernal, está envolto nos últimos dias em uma briga e suposta intervenção entre os três vereadores eleito na Capital e a direção estadual da sigla, comandado por Bernal – presidente estadual -, que quer fazer com que os parlamentares façam oposição direta na Câmara Municipal, assim rompendo com a gestão do atual prefeito Marquinhos Trad, apoiado pelo partido para se eleger no segundo turno das eleições 2016, e que não teria cumprido acordos. A questão surgiu desde a última sexta-feira, após reunião do partido, que deveria ser normal, mas teria girado em torno do assunto. Uma conversa até existiu, mas o problema foi ampliado em notícias de alguns órgãos de imprensa, apesar de poder ganhar a dimensão propalada, admitiram o trio de vereadores – Cazuza, Valdir Gomes e Dharleng Campos -, que foi ouvido separadamente pelo Página Brazil, nesta terça-feira (9). A repercussão é que ao menos dois dos parlamentares não gostaram da ideia ‘da pressão’, como Gomes, que fala em trabalhar pelo seu mandato.

As notícias então vinculadas é que Bernal, como presidente estadual, havia até convocado os vereadores da bancada, para uma reunião de emergência, que teria como pauta enquadrar os parlamentares a fazer uma oposição ao atual prefeito, a qualquer custo. Bernal nega as acusações de ‘coronelismo’ em relação aos vereadores do partido em Campo Grande. Segundo ele, os relatos de tentativa frustrada de impor a vontade dele sobre os mandatos são inverídicos. Apesar disso, manda um recado à bancada. “Quanto aos ataques feitos ao presidente estadual repercutido em alguns jornais, com supostas fala minha e de vereadores – que até não posso dizer, ser real ou não- mas afirmamos ser inverídico, nocivo, mais uma repetida frustrada tentativa de enganadores em gerar desgaste, pois agimos com civilidade, democracia, republicanamente, respeitosamente”, destaca Bernal.

Contudo, Bernal afirma que os vereadores do PP “são livres (e não poderia ser de outra forma) para agirem conforme suas consciências pessoais”, porém, também, devem seguir “em consonância com o estatuto e na defesa das políticas progressistas corporificadas em nosso governo e plano apresentado nas eleições de 2016”.

O vereador Cazuza, que se reelegeu para segundo mandato, e, é o presidente municipal do PP, admite a conversa, mas amenizou a questão apontando exagero de ‘certos jornais’ e que se conversou em buscar diálogo com o prefeito, para verem o que foi tratado nas conversas no período eleitoral, mas que isto e os mandatos continuam e devem continuar a ser feito para bem de Campo Grande.

“Como o PP apoiou a eleição de Marquinhos, conversamos sobre isto, para ver o que se acertou, pois Bernal como apoiador e presidente do partido ainda busca sentar com o prefeito. Vamos ou ele vai sentar com ele e depois vamos ver e definir o que é bom para Campo Grande, que estaremos junto, ajudar a construir, mas temos que ver o que tivemos. Contudo, se houver mudanças, que creio que não haver, nada de revanchismos, como já estão apontando, como no passado fizeram com nossa gestão. Não vamos fazer a mesma coisa. A reunião que tivemos e foi dado um parecer para sermos críticos e construtivo hoje, amanhã e sempre”, apontou o vereador-presidente.

Desencontro ou posição contraria

O vereador Valdir Gomes, eleito para primeiro mandato pelo PP, mas que já foi parlamentar na Capital, foi menos diplomático ou mais direto em relatar reunião e possível mudanças de posição. Ele afirma que não irá fazer oposição por oposição, sendo que mesmo uma decisão do partido, tem que ser bem pensada e anunciada pelos acordos que foram feitos tão somente por Bernal ou então direção do PP e que isto é para não ficar na costa do mandato.

Nós não temos ou tivemos briga direta, só conversamos, debatemos, discutimos, onde há posições um pouco divergentes. O presidente mencionou a tal oposição, porque até agora o prefeito não cumpriu acordos feitos em políticas do partido e administrativos. Mas, até então nós não temos até anda haver, pois o mandato é ou manda trabalhar pelo município. Assim, eu, Bernal, nós temos que ver o que é bom para a cidade e para o PP, pois oposição por oposição não leva a nada e já adiantei que não vou fazer. Até pela experiência política que tenho e que já passei nesta Casa, não acredito que fazer isto é bom para ninguém, principalmente hoje, por que a população não quer ver briga de político, ainda mais partidária, eles querem ver resultados, como ajudarmos a tapar os buracos da cidade, por exemplo”, disse Gomes.

O vereador ainda apontou que se tem conversado, foi pedido a Bernal que consiga conversar com Marquinhos Trad para resolverem o que está no caminho e que ninguém falou nada contra ninguém. Contudo, ele menciona o chamado “fogo amigo” da política. “Conversamos e pedimos que se vá falar com o prefeito, e que o mesmo também marque uma agenda, pois não se dá um só lado falar. Mas, ele verem o que foi feito de acordos, e eles decidirem e anunciar, pois todos necessitam desenvolver os mandatos. Mas, muita coisa também que saiu, vem de fora e até de pessoas do partido que estão fazendo picuinhas. Não tem mandato e ficam com ciúmes dizendo que estamos falando demais ou aparecendo demais na imprensa só nós, como já ouvi dizerem”, mencionou Gomes.

Por fim, toda situação é que Bernal estaria inconformado com o apoio irrestrito da bancada progressista ao prefeito Marquinhos Trad (PSD), ante que ele enfatiza que não houve, depois das eleições, “nenhum contato, diálogo ou reunião com o prefeito que apoiamos no segundo turno em 2016″.

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