Por que algumas pessoas não conseguem lembrar dos sonhos

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(Foto: iStock/Getty Images)

Estou do lado de fora da minha escola na infância, perto do portão principal e do estacionamento dos professores. É um dia ensolarado e estou cercado por quase uma centena de colegas.

Tenho a impressão de que alguns professores estão por perto, mas minha atenção está voltada para dois adultos, que não reconheço. Consigo ver um em detalhes – da brilhantina no cabelo às lentes douradas dos óculos escuros.

Ele segura um dispositivo que emite um grito estridente. Caio de joelhos botando as mãos nos ouvidos. Meus colegas de escola fazem o mesmo. O homem ri loucamente.

Tive esse sonho há quase 40 anos, mas consigo lembrar os detalhes como se fosse ontem. Mas se me pedirem para contar o que sonhei no início desta semana, me dá um branco.

Para muitos de nós, sonhos são uma presença quase intangível. Se tivermos sorte, conseguimos nos lembrar brevemente ao acordar; mesmo quem é capaz de recordar com riqueza de detalhes sonhos passados, pode despertar certos dias com quase nenhuma memória do que sonhou.

Se tenho sonhado – e a biologia sugere que provavelmente sim -, nada permaneceu tempo suficiente no meu cérebro acordado.

No entanto, há algumas razões pelas quais isso acontece. A resposta para o porquê de sonharmos – e se conseguimos nos lembrar dos sonhos – está enraizada na biologia dos nossos corpos adormecidos e do nosso subconsciente.

O sono é mais complicado do que se imagina. Quando está em repouso, nosso cérebro passa por uma montanha-russa de estados mentais, com algumas partes repletas de atividade mental.

O sonho está mais associado à fase do sono conhecida como Movimento Rápido dos Olhos (REM, na sigla em inglês). Às vezes, o REM também é chamado de sono dessincronizado, uma vez que pode imitar alguns sinais de quando estamos acordados.

Durante essa fase, os olhos se movem rapidamente, há alterações na respiração e na circulação, e o corpo entra em um estado de paralisia, conhecido como atonia. Acontece em ondas de 90 minutos durante o sono, e é nesse estágio que nosso cérebro tende a sonhar.

Há um fluxo extra de sangue para partes cruciais do nosso cérebro durante o REM: o córtex, que preenche nossos sonhos com seu conteúdo, e o sistema límbico, que processa nosso estado emocional.

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