Policiais de MS decidem por primeira paralisação de alerta, após anúncio de reajuste zero

Lúcio Borges

Assembleia de militares estadual que decidiu primeira ação (Foto: divulgação ACSPMBM/MS)

O governo do Estado não irá conceder reajuste aos servidores públicos em 2019, como já anunciou e ratificou nesta semana. Com isto, ou para tentar reverter a decisão, que somente é explicada por crise financeira da administração, é que começam a surgir as deliberações de greves ou paralisações de alerta de classes do funcionalismo estadual. Os primeiros a já decidirem neste sábado (25), por um movimento foram os policiais militares, que em tese até nem podem deflagrar ação grevista. Mas, a UME-MS (União dos Militares Estaduais de MS) decidiu em assembleia, que irá realizar um dia de protesto na próxima sexta-feira (31), em todo o Estado.

Conforme decisão dos presentes na reunião da UME-MS, será uma chamada de ‘Operação Padrão’, que terá duração de 24 horas, e PMs (policiais militares), bombeiros militares inativos e de folga, além de familiares farão caminhada, com saída às 8h30 do Comando Geral da PM, até a sede da Governadoria.

“O objetivo é chamar a atenção das autoridades para questões de desvalorização com a segurança pública em MS”, diz nota divulgada após a Assembleia que retirou a ação e aponta reivindicações.

A UME-MS oficializa ainda pela nota, que luta pela incorporação do abono de R$ 200, promessa já feita em anos anteriores; pela imediata reposição inflacionária constitucional dos últimos meses, além da discussão das perdas acumuladas desde que a atual gestão assumiu o Executivo.

Não é só pelos 200

Contudo, a questão abonal e de reajuste apontada acima, não é somente o que a categoria vem debatendo e quer discutir, avaliar e se possível conquistar ainda este ano, bem como para os futuros anos da atual gestão.

O coronel da PM Alírio Villasanti Romero, presidente da AOFMS (Associação dos Oficiais Militares Estaduais de MS) afirma que a questão salarial não é a única demanda a ser apresentada ao governo.

“Não é só a questão salarial, temos a não publicação das promoções, a deficiência estrutural e de pessoal, que acaba sobrecarregando nossos militares. Nós temos muitos casos de depressão, síndrome do pânico, suicídio, não só de militares estaduais, mas de seus familiares, há uma série de reclamações”, diz.

Ainda conforme Villasanti, o Governo fala sobre uma possível reestruturação da carreira, mas a desconfiança é generalizada em relação a afirmativa. “Há uma descrença na realidade, do que pode eventualmente caminhar para chegar a uma solução. É descrença no Governo”, diz.