Polícia prende quadrilha que comercializa remédios proibidos e controlados pela internet

G1/JP

A Polícia Civil do Rio prendeu na manhã desta quinta-feira (8) cinco pessoas que seriam integrantes de uma quadrilha que comercializa remédios proibidos, controlados e ilegais pelos Correios. O esquema interestadual oferecia, há pelo menos 12 anos, abortivos, ansiolíticos, “rebites” e outros remédios controlados e ilegais. A operação, batizada de Eros, visa ainda cumprir três de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Paraná.

Os medicamentos eram comercializados na internet, através de grupos de aplicativos de celular e através de site. No ar desde 2006, o site comercializava medicamentos para clientes de todo o território nacional e as encomendas eram postadas nas agências dos Correios de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Ao longo de seis meses, os investigadores da 78ª DP (Fonseca) acompanharam e registraram, via ação controlada, o envio de medicamentos abortivos, ansiolítico e drogas usada no golpe “Boa noite, Cinderela”.

Os suspeitos vão responder por tráfico de drogas, crimes contra a saúde pública e lavagem de dinheiro.

Em nota, a assessoria dos Correios disse que nenhum funcionário está autorizado a abrir encomendas, nem correspondências. De acordo com o procedimento, em caso de suspeita, o objeto é retido e os Correios entram em contato com o órgão competente, nesse caso, a Anvisa.

Presos em Maricá

Em Maricá, na Região dos Lagos, a polícia prendeu Bruna Medeiros Boechat e Paulo Jardel Cavalcante Espindola, que seriam os proprietários e administradores de uma das maiores páginas da internet na venda de medicamentos proibidos, ilegais ou que só poderiam ser vendidos com prescrição médica, como inibidores de apetite, anfetaminas, anabolizandes e antibióticos.

Por meio das movimentações postais e das quebras de sigilo bancário e fiscal dos alvos estima-se que o casal movimentava mais de R$ 150 mil por mês com o comércio ilegal. Parte dos lucros eram investidos na aquisição de imóveis, onde o valor de compra era subfaturado servindo como mecanismo de lavagem de dinheiro. Para ocultar o patrimônio, o casal mantinha seus veículos em nome de terceiros.

Na operação desta quinta-feira, os agentes da 78ª DP também cumprem o sequestro judicial de três imóveis, cinco contas bancárias e dois veículos de Bruna e Paulo. Todos os bens poderão, a critério do juiz, serem leiloados e revertidos em benefício da Polícia Civil.

Durante as investigações, os agentes já haviam prendido em flagrante Bruno Sérgio Honorato de Paula, no Centro do Rio, com medicamentos que seriam entregues a um cliente. Na casa dele, em Campo Grande, na Zona Oeste, policiais apreenderam mil caixas de medicamentos.

Além da possibilidade de entrega pessoal, o suspeito também oferecia a possibilidade de envio da mercadoria pelos Correios. Ele agia em grupos de aplicativos de conversa.

Medicamentos vinham do Paraná

Em Foz do Iguaçu, no Paraná, os policiais da 78ª DP, com apoio da 6ª SDP da Polícia Civil do Paraná, prenderam Flávia Conceição Ermácora e Antônio Sérgio Marsola, que é coronel da reserva da Policia Militar de São Paulo e trabalhava no Parque Tecnológico Itaipu.

Marsola já ocupou o cargo de chefe de Gabinete da Prefeitura de Bauru (SP), na então gestão do prefeito Nilson Costa (PTB), tendo inclusive concorrido ao cargo de prefeito da cidade pelo PPS nas eleições de 2004.

De acordo com a polícia, Flávia e Antônio mantinham o fornecimento regular de medicamentos para o casal de Maricá. Pela ação controlada concedida por decisão judicial, os agentes fizeram encomendas dos medicamentos e aguardaram a chegada ao destino final, para poder obter provas e a identificação da quadrilha.

Em nota, a Itaipu Binacional esclareceu que Antônio Sérgio Marsola não faz e nunca fez parte do quadro de pessoal da empresa. “Ele foi admitido há pouco menos de um mês para trabalhar na equipe de segurança do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). A função dele era apenas operacional. Não ocupava cargo de gestão. Ao ser informada da prisão ocorrida na manhã desta quinta-feira (8), na Operação Eros, a diretoria do PTI anunciou o desligamento sumário do empregado recém-contratado.”, diz a nota.

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