Polícia prende hacker contratado pela milícia para rastrear capitão da PM

Homem estava com mandado de prisão decretado. Segundo a investigação, ele teria participado de plano para execução que culminou com a morte por engano de estudante.

A polícia de Santa Catarina prendeu nessa quarta-feira (20), um homem que teria participado da elaboração do plano que acabou na morte por engano do estudante de Direito Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos, em abril deste ano. Eurico dos Santos Motta estava era considerado foragido e estava com mandado de prisão temporária decretado, sendo encontrado no bairro Boehmerwald, por volta das 17h.

Caminhonete atingida pelos disparos — Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

Conforme a investigação da operação Omertá, que apura o suposto envolvimento de uma milícia armada criada para eliminar desafetos em Mato Grosso do Sul, Eurico é o hacker que teria sido contratado para passar a localização, em tempo real, do capitão reformado da Polícia Militar (PM), Paulo Roberto Xavier, o PX, pai do estudante Matheus e verdadeiro alvo dos criminosos.

Ainda conforme a força tarefa da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Eurico foi contratado por Juanil Miranda Lima, apontado como o autor dos disparos e também foragido. No entanto, ele teria terceirizado o serviço e procurado outro hacker em um grupo de mensagens por telefone, o que, segundo os investigadores, configura a participação dele no crime.

O especialista em informática terceirizado localizou PX e chegou a se passar por uma “gerente de banco apaixonada” para tentar marcar um encontro e emboscada ao capitão. No dia do crime, PX estava na casa dele. O filho foi manobrar a caminhonete do pai para fora da garagem para pegar o próprio carro e buscar os irmãos na escola. Um veículo encostou e efetuou vários disparos com fuzis. O estudante não resistiu. De acordo com a investigação, o assassinato de PX foi encomendado pelos empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, presos no presídio federal de Mossoró (RN) e considerados os chefes da milícia armada.

O motivo seria desavenças por causa de negociações de propriedades rurais e ainda não há informações sobre a transferência do hacker preso em Santa Catarina para Campo Grande. A ação envolveu policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Joinville e da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, que receberam informações da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul.

Comentários