Polícia prende 6 suspeitos de participar da chacina na Grande SP

Cinco policiais militares e um guarda civil foram presos nesta quinta-feira (8) durante a força-tarefa que investiga a chacina de Osasco e Barueri, ocorrido na noite de 13 de agosto, que resultou na morte de 19 pessoas. Outro policial militar já havia sido preso no final de agosto por envolvimento no crime. O governador Geraldo Alckmin disse que os policiais “vão ser expulsos da corporação e responder civil e criminalmente”.

Inicialmente, a Polícia Militar havia informado que eram nove presos por causa da chacina. Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, outros três policiais militares foram detidos: dois com munição de uso restrito e outro policial susposto de envolvimento em uma chacina em Carapicuíba, que resultou na morte de quatro adolescentes em frente a uma pizzaria.

Os seis militares detidos por envolvimento na chacina de Osasco e Barueru estão na sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e serão encaminhados para o presídio da Polícia Militar Romão Gomes, no Tremembé, na Zona Norte de São Paulo.

Cinco PMs estão com prisão preventiva decretada. A prisão preventiva não tem data para ser encerrada, e a temporária dura 5 dias, mas pode ser prorrogada.

Foto: Edison Temoteo/Futura Press/Estadão Conteúdo
Foto: Edison Temoteo/Futura Press/Estadão Conteúdo

Os suspeitos foram detidos após quebra de álibi. Eles informaram que estavam em local, mas na realidade estavam em outro. Foi feito o monitoramento do sinal dos celulares dos investigados.

As prisões ocorreram durante operação conjunta da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar, que ainda cumpre 28 mandados de busca e apreensão em 36 pontos diferentes.
Já foram apreendidos capacetes, roupas e armas. Todos os materiais vão ser periciados.
No total, são 457 policiais na operação, sendo 201 policiais civis do DHPP e do Departamento de Polícia Judiciária (Demacro) e 256 policiais militares da Corregedoria da Polícia Militar.

A força-tarefa que investiga o crime apura a participação de 18 policiais militares, quatro guardas municipais de Barueri e de um vigilante. Além dos seis policiais que teriam participado diretamente dos ataques, 12 PMs teriam atuado indiretamente. Eles podem ter dado cobertura aos assassinos.

Antes da operação desta quinta, só o soldado Fabrício Emauel Eleutério estava preso. Ele nega que tenha participado da chacina.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou em Jaú, no interior do estado de São Paulo, que os policiais serão expulsos e vão responder civil e criminalmente. Para ele, a operação realizada nesta quinta-feira foi um “trabalho sério” e “muito profundo”.
“Chegamos à conclusão que tem sete policiais militares envolvidos, e isso é muito grave, porque o policial é um homem e uma mulher da lei. Ele é o exemplo de cumprimento da lei. Mas nós temos 100 mil policiais e, infelizmente, alguns acabam agindo de maneira incorreta e vão responder gravemente por isso. São ações criminosas. Eles vão ser expulsos da polícia e responder civil e criminalmente”, disse.

Ataques em série

No dia 13 de agosto de 2015, 18 pessoas foram mortas e sete ficaram feridas em ataques realizados por indivíduos armados em 10 lugares próximos, em um espaço de tempo de ao menos três horas, nas cidades de Barueri e Osasco, ambas na Grande São Paulo. Uma adolescente de 15 anos, que foi internada, morreu dias depois.

De acordo com alguns testemunhos e gravações de câmeras de segurança, um grupo de pessoas armadas usou veículos para se locomover entre os lugares. Eles perguntaram sobre antecedentes criminais e atiraram. Segundo as autoridades que investigam os crimes, um mesmo veículo teria sido visto em vários dos lugares onde ocorreram os crimes.

A suspeita de que policiais ou guardas-civis teriam cometido os crimes surgiu porque, alguns dias antes da chacina, o guarda-civil Jefferson Rodrigues da Silva, de 40 anos, e o policial militar Avenilson Pereira de Oliveira, de 42 anos, foram assassinados na região.

O cabo Oliveira foi morto a tiros, no dia 7 de agosto, por dois criminosos ao reagir a assalto a um posto de combustíveis. Ele era da Força-Tática do 42º Batalhão da PM (BPM), responsável pela segurança na região, mas estava sem farda. A dupla usou a própria arma do policial para matá-lo e fugiu. O DHPP já identificou os suspeitos, que são procurados pela Justiça.

O guarda Jefferson Silva foi baleado e assassinado em 12 de agosto por três assaltantes que tentaram roubá-lo. Ele também estaria à paisana. Os criminosos fugiram. Na noite seguinte ao assassinato do guarda, começaram as ondas de execuções em Osasco e Barueri.

A Corregedoria da Polícia Militar interrogou 32 policiais militares que trabalhavam em Osasco e Barueri na noite de 13 de agosto e diz que eles são testemunhas.
A demora em se descobrir os responsáveis pelas mortes provocou protestos de amigos, familiares e grupos de direitos humanos.

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