Polícia localiza mais duas ossadas de vítimas de grupo de extermínio

A Polícia Civil encontrou, nesta segunda-feira (19), mais duas ossadas enterradas no bairro Jardim Veraneio, na região norte de Campo Grande. Os restos mortais foram localizados no mesmo cemitério clandestino onde o jardineiro Luiz Alves Martins Filho, 49 anos, conhecido como Nando do Danúbio Azul, enterrou as outras oito ossadas que já tinham sido encontradas.

Ossada foi encontrada em matagal (Foto: Flávio Dias/TV Morena)

Até o momento, 10 ossadas foram encontradas durante a investigação, que busca localizar vítimas de uma rede de exploração sexual de adolescentes e tráfico de drogas, no bairro Danúbio Azul. Nando confessou ter enterrado as ossadas. Ele está preso desde o dia 10 de novembro.

O delegado Márcio Oshiro Obara, da Delegacia Especializada de Homicídio (DEH), disse que o local é bem conhecido por Nando e fica ao lado do bairro onde as vítimas sumiram.

Nando disse à polícia que visitava o cemitério clandestino quase todos os dias. “Paulatinamente ele ia acompanhando a mudança da vegetação daquele local, por isso, tem tanto conhecimento geográfico e consegue se posicionar muito bem ali na região. Ele diz que passava praticamente todo dia por lá. Existe um quê de retorno mórbido, de verificar o local onde assassinou as pessoas”, explicou Obara.

A polícia ainda não tem identificação das vítimas, mas há indicativo de que sejam mulheres e suspeita é que ossadas sejam de Jhennifer Lima da Silva, de 13 anos, e de Jhennifer Luana Lopes, de 16. No entanto, restos mortais foram levados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para identificação.

Jhenifer Lima está desaparecida desde 2014 e Jhennifer Luana desapareceu em março deste ano. Ambas seriam usuárias de drogas e teriam furtado mercearia de um dos comparsas de Nando.

INDICIAMENTO

A Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij) indiciou 17 pessoas por envolvimento com esquema de tráfico de drogas e exploração sexual de menores.

Além de Nando, foram indiciados: Ariane de Souza Gonçalves, 19; Talita Regina de Souza, 21;, Wagner Vieira Garcia , 24;, Jean Marlon Dias Domingues, 20;, Michel Henrique Vilela Vieira, 21; Andréia Conceição Pereira, Diego Vieira Martins, Rudy Pereira da Silva, Jeová Ferreira Lima, Jeová Ferreira Lima Filho, a mãe e o irmão de Wagner, bem como outras quatro pessoas que não tiveram os nomes divulgados. Rudy responde apenas por maus-tratos a animais, pois na casa dele havia cerca de 70 galos de rinha.

Entre eles, 11 respondem em liberdade. Continuam presos Nando, Ariane, Talita, Wagner, Jean e Michel, apontados como autores diretos de 13 homicídios ocorridos no bairro desde 2012.

Segundo o delegado Márcio Obara, da Homicídios, ainda não é descartada a hipótese de mais homicídios e de mais vítimas.

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