Polícia Federal diz que vereador comandava esquema de agiotagem

Coordenador da Operação Anatocismus, delegado Ricardo Rodrigues Gonçalves, detalhou investigações (Foto:Ricardo Albertoni/ Diário Corumbaense)

De acordo com a Polícia Federal, o vereador do PTB de Ladário, Eurípedes Zaurizio de Jesus (PTB), 44 anos,comandava um esquema de agiotagem que explorava pessoas de baixa renda, em clara vulnerabilidade econômica e social e muitos deles eram beneficiários do programa Bolsa Família. A informação foi repassada pelo delegado Ricardo Rodrigues Gonçalves, coordenador da Operação Anatocismus deflagrada na manhã desta terça-feira (240, que culminou na prisão do parlamentar.

Vereador do PTB foi preso suspeito de compra de votos nas eleições de 2016. (Foto: reprodução)

“O vereador está sendo indiciado por agiotagem e retenção de documentos pessoais em continuidade delitiva. A reiteração dessa prática é que ensejou a prisão preventiva dele. Restou comprovada pelos indícios que a investigação apurou, a prática de corrupção eleitoral ativa, que seria a compra de votos, e a falsidade ideológica eleitoral, que popularmente é conhecida como caixa 2”, explicou o delegado. “Embora não consistisse fraude ao Bolsa Família, porque o próprio beneficiário colocava à disposição o valor, ele desvirtuava as finalidades do programa. Certamente gerou maior endividamento dessas famílias”, argumentou. Segundo a Polícia Federal, os empréstimos e retenção de documentos foram confirmados. “Há mensagens, nos telefones celulares apreendidos, de pessoas solicitando a Carteira de Trabalho para comparecer ao INSS. A retenção implicou numa limitação de direitos fundamentais dos tomadores de empréstimo”, detalhou o delegado.

O coordenador da Anatocismus explicou que o vereador era o responsável por realizar os empréstimo e fazer o contato com os tomadores desses empréstimos. O vereador contava com a ajuda de um comparsa, que também foi preso preventivamente, responsável por manter na residência dele, os cartões retidos como forma de pagamento e efetuar os saques. “Tivemos acessos aos dados bancários, autorizados pelo juízo eleitoral, recebemos informações dos dados bancários dos beneficiários do Bolsa Família e acesso às imagens captadas na agência da Caixa Econômica e na casa lotérica em Ladário. Vimos que os beneficiários dos programas não eram as pessoas que efetuavam os saques. Se tratava de uma mesma pessoa, na Caixa Econômica, identificado como o comparsa do vereador”, informou o delegado Ricardo Gonçalves. “Em alguns casos retinha 100% do benefício até completar o valor da dívida, com juros de 30% ao mês”, complementou.

As investigações, que duraram três meses, apontaram ainda omissões e lançamentos de informações falsas na prestação de contas do então candidato à Câmara Municipal de Ladário. “O que temos é que omitiu informações na prestação de contas e lançou informações falsas. Um exemplo é o fato de cabos eleitorais, que teriam prestado serviço de natureza voluntária, mas na realidade confirmaram o pagamento de recursos. Pode ser que tenha se valido disso, apesar dele prestar a informação que o serviço era não remunerado, a pessoa recebeu o valor. Pode ser aí a venda do voto. Uma modalidade que é possível ter ocorrido”, explicou o chefe da operação.

As prisões preventivas – sem prazo pré-definido – do vereador Eurípedes e do homem identificado pela Polícia Federal como comparsa dele, foram solicitadas e decretadas pela Justiça.

 

Candidato pelo PTB, Eurípedes foi eleito vereador em Ladário com 365 votos na eleição de 02 de outubro de 2016. Foi o mais votado para a Câmara de Vereadores daquela cidade. Ele está na custódia da PF aguardando a transferência ao Estabelecimento Penal de Corumbá.

A Câmara ladarense está em recesso e os parlamentares iniciam o ano legislativo no dia 1º de fevereiro.

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