Piloto fez contato 6 dias depois que a família informou sumiço

A Polícia Civil ainda tem muitos mistérios a elucidar no caso do piloto agrícola Reverson Luis Bonan, de 38 anos. No entanto, interceptações telefônicas apontam que a vítima não desapareceu no dia 13 de dezembro, quando atuava em Ponta Porã, a 326 quilômetros de Campo Grande.

8piloto
Piloto está desaparecido desde o dia 13 de dezembro (Foto: Adriana Cristina / Arquivo Pessoal)

“As investigações iniciais davam conta de que ele estava em Mato Grosso do Sul, porém verificamos que ele fez uma ligação no dia 19 de dezembro, seis dias depois, estando em Cuiabá (MT)”, afirmou o delegado Jarley Inácio de Souza, titular da 1ª Delegacia de Ponta Porã.

Além da interceptação, a polícia está ouvindo inúmeras pessoas que mantinham contato com o suspeito, como outros pilotos, clientes e familiares. “Já temos suspeitas e uma situação de tráfico de drogas, porém ainda não temos elementos para definir tal fato. Então permanecemos sem novidades e buscando os rastros deixados por ele antes do desaparecimento”, explicou o delegado.

Com relação à família da vítima, Jarley explicou que mantém contato diário, já que a família recebe denúncias do paradeiro. “Eles recebem muitas informações e podemos dizer que muitas coisas não condizem com a realidade”, finalizou. O caso corre em segredo de Justiça.

Hipóteses

Além de um possível assédio para o tráfico de drogas, a polícia analisa um possível desentendimento que não tem nada a ver com a profissão de Reverson.

“Ainda não temos uma certeza sobre o que realmente aconteceu. As buscas estão em andamento, mas temos a hipótese de um assédio ou sequestro por tráfico de drogas. Temos relatos de pilotos que recebem propostas para transportar droga nesta região de fronteira, é algo comum por aqui. Alguns aceitam por medo, outros não aceitam e existem ainda aqueles que aceitam e depois são mortos por conta de algum desentendimento”, afirmou o delegado. saiba mais

Reverson atuava como free lancer tanto em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, como em São Paulo, Paraná e o Rio Grande do Sul.

“Ele pode ter sumido a bordo da aeronave ou então em solo. O fato é que se ele estivesse com a aeronave de algum fazendeiro, esta pessoa provavelmente já teria registrado uma ocorrência de sumiço ou até mesmo furto do veículo”, explicou o delegado.

Além disso, o delegado diz que a polícia também analisa a possibilidade dele ter alguma inimizade fora da profissão. “A família recebeu algumas denúncias e inclusive fatos com intenção de despistar a nossa investigação. Mas já temos bastante informações e estamos tentando verificando até a hipótese dele estar em território estrangeiro”, finalizou o delegado.

Entenda o caso

O piloto está desaparecido desde o dia 13 de dezembro deste ano, conforme a Polícia Civil. O último plano de voo dele ocorreu em Ponta Porã. Entre outras medidas, a polícia também busca o rastreamento do aparelho celular da vítima. A esposa do piloto, a produtora de eventos Adriana Cristina da Silva, de 35 anos, comentou ao G1 que conversava com o esposa, pelo WhatsApp, no dia do sumiço.

“Ele fez seis voos em Ponta Porã e depois não deixou vestígio. Naquele dia, estávamos conversando há mais de uma hora, quando ele disse que tinha ferido a costela. Eu não entendi muito bem aquilo, mas orientei ele a buscar socorro. Depois, não houve mais contato”, explicou Silva.

Casados há três anos e com um filho de pouco mais de um ano, Cristina diz que os parentes estão apreensivos. O último contato ocorreu às 22h13 (de MS) naquele dia, quando o piloto enviou uma mensagem de texto pelo celular, dizendo que estava bem, porém o local não havia internet e isto estava dificultando o contato.

“O pai dele fica entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso buscando notícias. E o nosso filho não para de chamar pelo pai. Meu desespero maior é esse, pois a criança sentindo falta. Meu esposo também dizia estar com muitas saudades, sendo que dia 20 ele já estaria de folga”, lamentou. (G1)

Comentários

comentários