PF tenta mediar conflito em Caarapó e recuperar armas de PMs

A Polícia Federal retorna à área de conflito por terra, em Caarapó, para tentar mediar negociação entre indígenas e fazendeiros. O objetivo é, também, recuperar armas tomadas de policiais militares na tarde de ontem.

Segundo o site Douradosagora o cenário de guerra travada entre indígenas e seguranças armados que chegaram em pelo menos 50 caminhonetes, atirando, para tentar afugentar os guaranis-caiuás que ocuparam, domingo passado, a fazenda Ivu, que fica na vizinhança da Aldeia Tey Kuê.

O confronto aconteceu numa estrada de chão, ladeada por lavoura de cana, de acesso entre Caarapó e Laguna Carapã. O clima começou a ficar tenso ainda no domingo, quando a proprietária rural denunciou à Polícia Civil a ocupação de parte da fazenda.

Na manhã de ontem, homens armados que seriam funcionários de fazendeiros naquela região, tentaram reaver a terra. Houve tiroteio, pauladas, atropelamentos e indígenas reagiram, cumprindo a promessa de ficar na terra que eles reivindicam, até a morte.

Pelo menos seis indígenas foram baleados e o agente de saúde, Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos morreu antes de dar entrada no Hospital São Mateus, em Caarapó. Entre os feridos, um menino de 12 anos.

Bombeiros que foram acionados para transportar feridos e policiais militares foram atacados. Grupo de pelo menos 50 homens cercou os PMs. Armas de grosso calibre foram roubadas. De acordo com relato de autoridades, três policiais militares foram espancados. O tenente-coronel PM Carlos Silva, comandante do 3º BPM de Dourados, disse ao Douradosagora que os indígenas ameaçavam atear fogo nas guarnições.

 

Ninguém escapou do confronto, inclusive mulheres empunhando facões que partiam para cima dos policiais. O vereador indígena, Dario Ramirez, tentou mediar o conflito e acompanhar os feridos. Mas a situação piorava. De acordo com a polícia, um caminhoneiro que retornava de uma fazenda, carregando um maquinário, foi arrancado da cabine e espancado. Ambos veículos foram incendiados.

Um funcionário da fazenda invadida contou que só deu tempo de retirar alguns equipamentos e deixar o local, pouco antes do confronto que contou com atuação da Polícia Federal e Bope, de Campo Grande. Helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF/MS) sobrevoava a área de conflito, onde indígenas atearam fogo nas lavouras e maquinários.

O comandante Carlos Silva, disse que as armas tomadas pelos indígenas representa alto risco à segurança. A expectativa é que, hoje, os índios devolvam os armamentos.

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