PF aponta que livros distribuídos por editora eram superfaturados em até 368%

Jackson Nogueira

Pelo menos R$ 670 mil. Esse é o valor que a Polícia Federal (PF) calcula que esquemas de fraudes a licitações tenham causado a prefeitura de Paranhos. Nesta quarta-feira (3), a corporação e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagraram uma nova ação apurar os desvios de recursos públicos no município, a segunda etapa da operação Toque de Midas. O alvo foram as compras de materiais escolares e livros paradidáticos.

Delegado Cleo Mazzotti explica que o esquema teria rendido R$ 700 mil aos envolvidos

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, sendo dois em Paranhos, uma na sede da prefeitura e outro na casa de um servidor público e outros dois em Campo Grande, na residência de um empresário e em uma editora de livros. Segundo a PF, foram apreendidos documentos e mídias, principalmente referentes aos pregões promovidos pelo município. Os prejuízos calculados até o momento são de R$ 270 mil.

Na primeira fase da operação, promovida em abril, foi investigado um esquema de fraude em licitações para a compra de merendas, com prejuízo aos cofres públicos de aproximadamente R$ 400 mil.

Conforme o delegado da PF e diretor regional de combate ao crime organizado da corporação, Cléo Mazzotti, as investigações atingem a gestão anterior do município. Ele explica que em uma das situações encontradas durante a apuração desta etapa, foi descoberto que a prefeitura pagou por um livro R$ 75, quando no mercado ele custa no máximo R$ 16.

As licitações para a compra de materiais escolares e também livros paradidáticos, como de educação no trânsito e educação ambiental, eram fraudadas, conforme a apuração da Polícia Federal por meio da manipulação de preços.

“Eram usados documentos falsos. Empresas simulavam lances e empresas que existiam mas não estavam participando eram utilizadas para forjar lances. Então era adquirido um produto por um preço muito acima do valor de mercado. Também existem casos de materiais, principalmente do kit escolar, em que os preços não foram tão sobretaxados, mas que os produtos entregues foram de qualidade muito inferior ao adquirido”, explica o delegado.

O delegado frisou que a deflagração da operação foi mais uma etapa do processo de investigação que prossegue agora com a análise do material aprendido e que pode levar a descoberta de novas irregularidades e de um prejuízo ainda maior, que pode passar de R$ 1 milhão, ao município. A PF aponta que nos esquemas já descobertos 14 pessoas estão envolvidas.

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