Perícia encontra digitais em folhas de dossiê apreendido com guarda

Da Redação

A perícia no material apreendido no imóvel onde o guarda municipal Marcelo Rios mantinha arsenal só conseguiu coletar impressões digitais nas folhas de papel sulfite da versão impressa de dossiê sobre um produtor rural.

Foto: Clayton Neves.

A pesquisa foi feita por policial federal aposentado, inclusive o documento de 17 páginas tem a logomarca da instituição. Contudo, não foi possível cravar a identidade de quem manipulou as folhas. Já o arsernal, apontado como elo entre execuções em Campo Grande e um grupo de extermínio, não resultou na coleta de digitais.

Os relatórios de quatro laudos periciais foram anexados na sexta-feira (dia 16) ao processo em que o guarda municipal responde pela posse das armas. Primeiro, o laudo do Instituto de Criminalística Hercílio Macellaro fez análise do local da apreensão do arsenal, um imóvel no Jardim Monte Líbano, em Campo Grande. A residência estava desocupada, com portas arrombadas pela equipe policial e a caixa metálica com o arsenal estava no banheiro contíguo a um dos quartos.

Foram apreendidos armamento, munições, arreador, luneta (aumenta precisão em tiro de longa distância), dois bloqueadores de sinais (podem ser empregados na obstrução de envio de sinais de tornozeleira eletrônica), pen drive, celular, boné com perfuração compatível com equipamento de gravação ambiental, sabonete, um pedaço de papel e 17 folhas com logomarca da Polícia Federal.

O dossiê era sobre Everaldo Monteiro de Assis e o pesquisado foi o fazendeiro Edivaldo Luís Francischinelli. A reportagem não conseguiu contato com o produtor rural. Já a Polícia Federal tem informado que a instituição “não se pronuncia sobre investigações em andamento”.

O segundo laudo é o da perícia papiloscópica em sacolas plásticas, sacos plásticos, caixa de munição e nas 17 folhas de papel sulfite. Nos documentos, foram encontradas oito fragmentos de impressões papilares, sendo quatro com condições técnicas para pesquisa. Mas as impressões digitais não foram identificadas. Conforme o laudo, o registro fotográfico dos fragmentos ficará arquivado no Instituto de Identificação.

Já o armamento passou por perícia papiloscópica na Polícia Federal. Armas e munições foram divididas em 64 lotes. “Após a aplicação dos reagentes e reveladores pertinentes às superfícies analisadas, verificaram os papiloscopistas que não foram levantados fragmentos de impressão digital em condições técnicas suficientes para confrontos”.

O quarto laudo, feito pelo Instituto de Criminalística, apontou que os cartuchos de munição não tinham número de série gravado no culote, apenas nas embalagens. Sobre a origem, as munições são dos Estados Unidos, Brasil, México e Filipinas.

A investigação ainda aguarda o resultado dos exames de balística. Os projéteis extraídos das vítimas foram levados do Instituto de Criminalística para a PF, responsável pela perícia.

Foram três mortes com fuzil AK47 em Campo Grande: Ilson Martins de Figueiredo (policial militar reformado e então chefe da segurança da Assembleia Legislativa), Orlando da Silva Fernandes (ex-segurança do narcotraficante Jorge Rafaat) e universitário Matheus Coutinho Xavier (a suspeita é de que o alvo fosse seu pai, um policial militar reformado).

Dois exemplares desse modelo de fuzil integram o arsenal apreendido com o guarda municipal. Marcelo Rios está preso desde 19 de maio.

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