Pelo menos 70 jornalistas estão encurralados por ofensiva no sul da Síria

Agências/JP

Fumaça sobe dos edifícios após o bombardeio na aldeia de Mesraba, na região de Ghouta ocupada por rebeldes e sitiada nos subúrbios da capital Damasco – 19/02/2018 (Hamza Al-Ajweh/AFP)

Pelo menos 70 jornalistas e trabalhadores de veículos de imprensa estão retidos no sul da Síria, entre a província de Deraa e a de Quneitra, onde as forças do regime de Bashar Al-Assad desenvolvem uma ofensiva contra as facções rebeldes e islamitas, denunciou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Forças leais ao presidente sírio combatem desde 19 de junho nesta província meridional, onde o Governo sírio e as milícias aliadas conquistaram 80% do território. Em meio aos enfrentamentos, pelo menos 70 jornalistas estão encurralados na vizinha Quneitra, entre as forças leais a Assad e as fronteiras de Israel e Jordânia, países que mantiveram as passagens fechadas desde o início da disputa.

“Dado o perigo dos combates, assim como a mão dura dos serviços de segurança sírio com jornalistas e trabalhadores dos veículos de imprensa no passado, não é de estranhar que os jornalistas em Deraa e Quneitra tenham medo”, disse o Coordenador do Programa de Proteção de jornalistas do CPJ para o Oriente Médio e Norte da África, Xerife Mansour.

Por sua vez, a Associação de Jornalistas Sírios denunciou ontem que cerca de 270 jornalistas, ativistas em redes de informação e trabalhadores dos veículos de imprensa “estão expostos a um perigo iminente” no sul da Síria pelo avanço das tropas sírias. No entanto, em comunicado, o CPJ informou que só pôde confirmar 70 destes casos.

Os jornalistas pedem uma passagem segura para sair do local e garantia de manutenção de suas integridades físicas. De acordo com comunicado da Associação de Jornalistas Sírios, o maior temor dos profissionais é de serem presos ou mortos, principalmente por forças do governo. A associação pediu ajuda da Jordânia para fornecer uma passagem seguras aos profissionais.

“Os jornalistas locais têm medo do avanço do Governo sírio, das forças russas e das milícias respaldadas pelo Irã. Necessitamos de uma passagem segura fora de Quneitra, seja através das Colinas de Golã (controlados por Israel) ou via (província síria de) Idlib, e precisamos de garantias que teremos segurança”, disse um desses jornalistas presos, citados pelo CPJ e identificado como Al Hourani.

De acordo com o comitê, a Síria é um dos países mais perigosos para jornalistas, com cerca de 120 profissionais mortos devido ao seu trabalho desde o início da guerra, em 2011. Ao menos sete jornalistas estão presos no país e diversos seguem desaparecidos.

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