Pedidos de Impeachment estão em curso em MS e mais 3 Estados devido a delações da JBS

Lúcio Borges

Joesley e Welsey Batista do grupo JBS (Foto: Eliaria Andrade/Agência O Globo e Monica Bento/Estadão)

A delação premiada da JBS afetaram os governos do presidente Michel Temer (PMDB) e de pelo menos mais quatro Estados com pedidos de Impeachment, que incluem o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB). O tucano estadual segue na lista junto com os colegas de Santa Catarina, Ceará e Rio Grande do Sul. Veja abaixo. Todos envolvidos nas denúncias do grupo empresarial, que tem a diversidade dos partidos nestes casos, entre PSD, PT e dois do PSDB. Contudo, segundo a delação de Wesley Batista, um dos donos da JBS, há muitos outras legendas e cerca de 1900 políticos que estariam delatados por todo o Brasil.

O MS, com Azambuja acumula três pedidos de impeachment protocolados nos últimos dias, sendo proposições do vereador de Campo Grande, Vinícius Siqueira (DEM), dos advogados Soraia Vieira e Dani Fabrício Cabral.  Todos baseados na delação premiada da JBS, que também envolve pelo menos 14 parlamentares e um total de 31 políticos do Estado, como o Página Brazil noticiou em matéria que “Deputados voltam a contestar nomes em lista da JBS”.

Reinaldo Azambuja (PSDB), governador do Estado.

Na delação, em um capítulo destinado apenas aos esquemas operados pela empresa em Mato Grosso do Sul, a JBS diz ter passado R$ 150 milhões como propina para os três últimos governadores do Estado: Zeca do PT, André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja. O atual chefe do Executivo teria recebido propina avaliada em mais de R$ 22,9 milhões em espécie e em notas frias, segundo a delação de Wesley Batista, um dos donos da JBS. O governador Azambuja nega acusação.

Na Assembleia Legislativa, uma comissão especial foi criada nesta terça-feira (23) para analisar os pedidos de impeachment contra o governador. Os deputados não indicaram quem compõe a comissão até o momento.

Veja outros governadores que sofrem com pedidos de Impeachment 

Ceará

Camilo Santana (PT)O governador Camilo Santana (PT) teve um pedido de impeachment protocolado pelo deputado Capitão Wagner (PT), nesta terça-feira. No documento há ainda pedido de afastamento de dois secretários citados pela delação dos irmãos Batista.

Segundo a delação da JBS, o ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), teria pedido R$ 20 milhões ao grupo para a campanha de Camilo de 2014. Em contrapartida, o grupo foi beneficiado com liberação de créditos de ICMS no valor de R$ 110 milhões.

Cid e Camilo negam as acusações, e falam que a liberação dos valores nada tem a ver com doações para campanha. O deputado Capitão Wagner é acusado por governistas de “embarcar” em uma notícia “sem a prudência de investigar”.

Raimundo Colombo (PSD)Santa Catarina

Em Santa Catarina, vereadores de Florianópolis da bancada do PSOL protocolaram um segundo pedido de impeachment contra o governador Raimundo Colombo (PSD), com base na delação da JBS.

Um primeiro pedido contra o governador havia sido protocolado pelo grupo com base em uma doação ilegal delatada pela Odebrecht, que afirmou que Colombo recebeu R$ 9 milhões em caixa dois nas campanhas de 2010 e 2014.

Agora, a JBS afirma ter pago R$ 10 milhões em propina ao governador Ambos os pagamentos ilegais envolvem benefícios às empresas em uma eventual privatização da Casan (Companhia de Água e Saneamento).

Colombo nega também o recebimento de propina e disse que não há provas, classificando as acusações da JBS como “irresponsabilidade absurda”.

Rio Grande do Sul

Ivo Sartori (PSDB)O governador Ivo Sartori também foi acusado em delação do executivo da JBS, Ricardo Saude, de recbeer propina avaliada em R$ 1,5 milhão durante a campanha de 2014, a pedido do senador e então candidato a presidência Aécio Neves (PSDB).

A denúncia deu origem a um pedido de impeachment feito pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, protocolado na última segunda-feira (22). O pedido foi encaminhado à Procuradoria da Assembleia Legislativa do Estado para análise.

Sobre o pedido de impeachment, Sartori não se pronunciou, mas afirmou que a doação da JBS a sua campanha foi declarada e legal. “Nunca participei desse mar de lama. E o povo gaúcho pode ter certeza de que não haverá nada que prove em contrário.

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