Pastor recebe rim da esposa e Santa Casa diz que faltam doadores

Fabiana da Rocha dos Santos, de 42 anos, doou um dos rins para o marido que sofria de insuficiência renal e disse na Santa Casa de Campo Grande na manhã desta segunda-feira (3), que o maior temor era que o órgão não fosse compatível.

Casal foi apresentado à imprensa na manhã desta segunda-feira (3) em entrevista coletiva na Santa Casa.
Casal foi apresentado à imprensa na manhã desta segunda-feira (3) em entrevista coletiva na Santa Casa.

Em dezembro de 2013, o Ministério da Saúde suspendeu os transplantes para que o hospital pudesse passar por readequações tanto na estrutura física, quanto na qualificação dos profissionais, que participaram de cursos em hospitais renomados de São Paulo.

O transplante aconteceu no último dia 21 de julho e foi o primeiro em quatro meses, desde que o setor foi reativado, após quase dois anos fechado por determinação do Ministério da Saúde.

Ao lado do marido, Fabiana disse que sempre quis ajudá-lo, mas tinha medo porque, segundo especialistas, a probabilidade de que o órgão seja compatível é maior quando é doado por parente de sangue, como pai ou filho.

O Pastor Vanildo Pereira dos Santos, de 47 anos, sofria com problemas nos rins há 10 anos e durante o período relatou que vivia “preso” por conta da hemodiálise.

De acordo com o urologista Adriano Augusto Filho, que fez parte da equipe de cinco médicos que participaram da cirurgia, “o procedimento foi um sucesso”. “Vanildo fez vários exames, como análise cardiológica, antes que ele recebesse o rim. A cirurgia levou de 3 a 4 horas. Deu tudo certo no final”, comemora.

Santos teve alta médica no dia 27 de julho e está sendo acompanhado, além de tomar medicação para evitar que organismo rejeite o órgão. No entanto, os médicos afirmam que até o momento não há indícios de rejeição. A doadora também está sendo acompanhada com exames de rotina.

TRANSPLANTES

A Santa Casa alerta para o baixo número de doadores e a alta demanda de pessoas que precisam receber rins em Mato Grosso do Sul. De acordo com o hospital, segundo o urologista, “existem mil renais crônicos em todo o Estado. Fizemos uma reavaliação com mais de 200 pacientes. Sabemos que 20 estão prontos para receber o transplante, mas não temos doadores. Precisamos de uma campanha de conscientização de doação de órgãos.No mês passado cinco famílias de pacientes mortos foram entrevistadas e se recusaram a doar os rins”, frisa.

Segundo dados do hospital, que é referência no transplante de órgãos, no primeiro semestre do ano, dos 789 óbitos por parada cardiorespiratória e morte encefálica apenas 66 doaram órgãos. No mesmo período, somente 11 rins foram doados. Transplantes de coração seguem suspensos na Santa Casa sem data de reativação.

Comentários

comentários