Pás foram vistoriadas e recolocadas sem troca em helicóptero, diz Helibrás

Queda de aeronave matou 5 pessoas, entre elas o filho caçula de Alckmin. Inspeção foi classificada como simples por não afetar as áreas estruturais.

O conjunto de pás do rotor principal do helicóptero, que caiu matando cinco pessoas na Grande São Paulo, passou por uma inspeção de rotina, mas não foi substituído, segundo informou a Helibrás ao G1. A empresa é representante no Brasil da Eurocopter, fabricante aeronave, e é a única autorizada a fazer o serviço de vistoria na América do Sul de produtos da marca.

Primeira pá de helicóptero localizada na região do acidente na Grande SP (Foto: Reprodução/TV Globo)
Primeira pá de helicóptero localizada na região do acidente na Grande SP (Foto: Reprodução/TV Globo)

Duas pás foram encontradas próximas ao local da queda. Um vídeo que mostra a aeronave segundos antes de atingir o solo foi analisada pelo perito Ricardo Molina. Segundo ele, tudo indica que uma peça vista das imagens seja uma das pás do rotor do helicóptero, conjunto que popularmente conhecido como hélice. “Após analisar o vídeo quadro a quadro, posso dizer que uma peça se solta do helicóptero antes da queda”, disse Molina.

De acordo com a Helibrás, as cinco pás foram retiradas da aeronave e passaram por inspeção de rotina, como descrito nos manuais do fabricante. O procedimento, segundo apurou o G1, foi classificado como simples por não afetar as áreas críticas e estruturais das pás.

Após vistoria, o conjunto de pás foi entregue novamente à proprietária da aeronave, a Seripatri, com um relatório sobre a inspeção. A Helibrás nega, no entanto, que tenha feito a reinstalação das pás.

O serviço, segundo a Seripatri, foi feito por uma oficina do Helipark – de onde partiu o helicóptero -, que é credenciada pela Helibrás e homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As empresas não informaram a data de inspeção e reinstalação das pás, mas a dona da aeronave confirmou que o acidente ocorreu durante um voo teste e de balanceamento após a colocação das peças.

A Seripatri afirmou ainda que a aeronave tinha cerca de quatro anos de uso, com 600 horas de voo e manutenção rigorosa feita em oficinas homologadas pela Anac.

Investigação policial
A Polícia Civil quer ouvir pelo menos 20 pessoas, entre elas os responsáveis pela inspeção nas pás. Os investigadores do 1º Distrito Policial querem saber se a aeronave da empresa Seripatri caiu por causa de falha mecânica ou humana, ou ainda a conjunção dessas duas possibilidades na queda da aeronave na quinta-feira (2). Entre as vítimas estava o filho caçula do governador Geraldo Alckmin, Thomaz Rodrigues Alckmin, de 31 anos.

A investigação pretende ouvir funcionários que trabalharam na manutenção e os donos da aeronave, do tipo Eurocopter, EC-155 B1, que é fabricado por um consórcio europeu. Especialistas o consideram um dos melhores e mais seguros helicópteros de transporte de passageiros.

As partes do helicóptero foram levadas para um hangar da aeronáutica, no Campo de Marte, onde fica a unidade regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Duas pás, uma delas encontrada perto do condomínio onde o helicóptero caiu, estão entre os fragmentos recolhidos para análise.

Moradores do Condomínio Fazendinha, que fica na altura do km 26 da Rodovia Castello Branco, viram quando o helicóptero caiu bruscamente sobre as casas. Uma câmera de segurança também registrou a queda. Nas imagens é possível ver que um objeto vai em outra direção.

Nos helicópteros, o conjunto formado pelo rotor e pelas pás, na parte de cima, é comumente chamado de hélice. Segundo o engenheiro aeronáutico Shailon Ian a análise das pás, feita pelo Cenipa, vai revelar se este foi o problema. “Em 16 anos, eu nunca vi uma pá principal se desprender”, observou.

Para o especialista, existem várias explicações para que a pá se deslocasse. Ela pode ter se soltado porque houve um choque com algum objeto enquanto voava, porque o rotor parou abruptamente e a inércia fez ela sair. A pá pode ter se soltado ainda um pouco antes da queda quando o helicóptero bateu em uma árvore. Na queda, a aeronave atingiu três casas.

Além do caçula de Alckmin, morreram Carlos Haroldo Isquerdo Gonçalves (53 anos, piloto do helicóptero e funcionário da Seripatri), Paulo Henrique Moraes (42 anos, mecânico e funcionário da Seripatri)  Erick Martinho (36 anos, mecânico da empresa Helipark) e Leandro Souza (34 anos, mecânico da Helipark).

Queda helicóptero Thomaz Alckmin (Foto: Arte/G1)

Fonte: G1

 

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