Para fugir do aluguel, famílias invadem terreno no Parque Novos Estados

Famílias alegam que devido a crise tem sido difícil de se sustentar. (Foto: Paulo Francis)

Cerca de 28 famílias iniciaram na tarde desta sexta feira(13), a marcação e limpeza de um grande terreno abandonado, localizado na Avenida Ana Rosa Castilho, no Parque Novos Estados, em Campo Grande.

As pessoas alegam não terem condições de pagar aluguel, muitos são trabalhadores autônomos da construção civil e devido a falta de serviço tem ficado complicado pagar as contas do dia-a-dia e se sustentar. O grupo diz não saber quem é o proprietário do terreno, se é particular ou da prefeitura, e que também nunca foi visto ninguém cuidando do local.

O pedreiro Edson Floriano da Silva, 31 anos, conta que a marcação dos terrenos está sendo feita de forma organizada, as casas todas serão construídas de alvenaria e as medidas dos terrenos devem ser de 10x29m².

“Nos fazemos inscrição em programas de habitação e não resolve nada, é sempre uma burocracia e a casa que é bom nada. Tenho esposa, um filho de 9 anos e outro de 5 meses, e pagar aluguel, água e luz em uma crise dessa não da”, conta.

Edson afirma que irá construir sua casa no local, mas se acaso a prefeitura concedesse uma casa em outro região aceitaria sem problemas.

“Que nos levem para algum lugar decente então ou nos deixem ficar aqui e vamos pagando como podemos”, reivindica o homem.

A situação de Wilson Rolim Correa, 39 anos, não é diferente. Além da espora ele tem filhos com idades de 8, 18 e 19 anos, um neto de 3 anos, e alega estar passando por dificuldades  financeiras e não tem para onde ir.

“O negocio é termos um local para morar, somos trabalhadores de bem, estamos conversando com todos antes de virem para cá, somos boas famílias, aqui não tem drogado e nem pessoa que não trabalha”, frisa.

Área está sendo demarcada e cada terreno terá o tamanho de 10x29m²(Foto: Paulo Francis)

Um morador da região, Luiz Tadeu, 55 anos, conta que reside no bairro desde criança e que o terreno nunca foi ocupado para nada. Ele diz que apoia o movimento das famílias, pois assim o local será cuidado, aumentando a segurança e diminuindo os riscos de doenças à população.

“Moro aqui desde moleque, nunca nem sequer vieram fazer uma limpeza, apenas quando estavam fazendo o asfalto serviu para guardar materiais, maquinários e equipamentos, mas isso faz tempo, foi em 2008 por ai, depois disso não apareceu mais ninguém. Eu apoio o que eles estão fazendo porque são famílias que não tem para onde ir, e também porque vão limpar o local, cuidar, nesse mato tem dengue, vários bichos, como escorpiões, cobras, entre outros, e ninguém faz nada”, destaca o morador.

Famílias alegam não saber de quem é o terreno, entretanto não há limpeza e manutenção no local. (Foto Paulo Francis)

O autônomo Zenildo Costa, 25 anos, vive o mesmo drama, ele tem que sustentar a esposa e o filho de 9 meses, mas mora de favor e se acaso pedirem que ele saia da casa não terá para onde ir.

“Quero ter um lugar para morar com minha família, mas não quero nada de graça. Gostaríamos que fosse algo regularizado, que tivesse um carne para pagarmos todo mês de acordo com nossa renda. Somos pedreiros e o dinheiro gasto no aluguel podemos investir em material para construir nossa casa”, finaliza.

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