Papa diz que barreiras físicas não resolvem problemas de imigração

Por Reuters / Portal G1

Papa Francisco em visita ao Marrocos — Foto: Youssef Boudlal/Reuters
Papa Francisco em visita ao Marrocos — Foto: Youssef Boudlal/Reuters

Francisco, iniciando uma visita de dois dias ao Marrocos, também apoiou os esforços do rei Mohammed VI de espalhar uma forma moderada do Islã que promove um diálogo inter-religioso e rejeita qualquer forma de terrorismo e violência em nome de Deus.

Nos últimos meses, a imigração tem alcançado novamente a frente de debates políticos nacionais em uma série de países do Norte da África e da Europa, além dos Estados Unidos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu cumprir sua promessa de campanha de construir um muro na fronteira com o México e, na sexta-feira, ameaçou fechar a fronteira na próxima semana caso o México não impeça os imigrantes de chegarem aos Estados Unidos.

“A questão da imigração nunca será resolvida pela construção de barreiras, fomentando o medo dos outros ou negando assistência àqueles que legitimamente aspiram a uma vida melhor para si próprios e suas famílias”, disse Francisco em cerimônia de boas vindas.

“Nós sabemos também que a consolidação de uma verdadeira paz vem através da busca por justiça social, que é indispensável para corrigir os desequilíbrios econômicos e a instabilidade política que sempre teve um grande papel em gerar conflitos e ameaçar toda a humanidade”, disse ele.

O Marrocos tem se tornado um ponto de saída importante para imigrantes africanos tentando chegar à Europa após repressões que fecharam ou limitaram rotas em outros locais. O ministro anti-imigração da Itália fechou portos aos navios de resgate comandados por grupos de caridade.

Francisco, que fez da defesa de imigrantes e refugiados uma parte importante de sua pregação, afirmou estar preocupado sobre o “destino frequentemente sombrio deles” e países que os recebem devem reconhecer que os imigrantes são forçados a deixar seus países pela pobreza e convulsão política.

Papa Francisco encontra o rei Mohammed VI em visita ao Marrocos — Foto: Vatican Media/­Handout/Reuters
Papa Francisco encontra o rei Mohammed VI em visita ao Marrocos — Foto: Vatican Media/­Handout/Reuters

Diversidade de crenças

O papa Francisco e o rei do Marrocos, Mohammed VI, também defenderam a proteção do caráter multirreligioso de Jerusalém, afirmando que os locais sagrados da cidade precisam ser acessíveis a fiéis de todas as crenças.

Em um apelo conjunto, o papa e o monarca disseram que estão “profundamente preocupados pela sua representatividade espiritual e vocação especial como uma cidade da paz”.

Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a decisão de Washington de transferir a embaixada dos EUA para Jerusalém, em 2017, o papa, outros líderes cristãos e chefes de Estado muçulmanos passaram a demonstrar mais preocupações com a cidade.

“Consideramos importante preservar a Cidade Sagrada de Jerusalém/Al-Qods Acharif como patrimônio comum da humanidade e, especialmente para os seguidores das três religiões monoteístas, como um local de encontro e um símbolo de coexistência pacífica, onde o respeito mútuo e o diálogo possam ser cultivados”, afirmaram, em um comunicado conjunto, usando o nome árabe de Jerusalém.

O comunicado pediu “total liberdade de acesso” para judeus, muçulmanos e cristãos e uma garantia pelo direito de praticar a fé no local.

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