Oposição deve apimentar sessão da Assembleia envolvendo delação da JBS

Da Redação/JN

A bancada de oposição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, integrada pelos deputados do PT, Amarildo Cruz, Pedro Kemp, João Grandão e Cabi Almi, deve apimentar a sessão desta terça-feira (23) da Casa após a delação premiada do empresário da JBS, Wesley Batista, que envolveu os nomes dos ex-governadores Zeca do PT e André Puccinelli (PMDB) e o atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB) em esquema de recebimento de propina.

Bancada do PT na Assembleia de MS (Foto: Divulgação )

O único problema é que há o envolvimento de um correligionário, no caso Zeca do PT, e um dos colegas de Assembleia.

No fim de semana, Reinaldo chamou de leviana e mentirosa a citação de seu nome na delação de um dos donos da empresa que afirmou à procuradores da República ter negociado diretamente com o tucano para o pagamento de propinas.

“Leviana, mentirosa e utópica essa delação”, disse, continuando posteriormente, “ele acusou e agora eu vou provar, através de documentos, que isso não existe. Vou me defender desses delatores mentirosos”, reagiu Reinaldo.

Delação

Trechos da divulgação da delação do empresário Wesley Batista apontava um esquema de pagamento de propina em Mato Grosso do Sul que iniciou no governo Zeca do PT, passando por André Puccinelli (PMDB) e que, estaria continuando com Reinaldo.

Conforme Wesley, os valores milionários repassados aos gestores tinham como intuito a redução da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

“É um esquema de benefícios fiscais para redução da alíquota do ICMS. Esse esquema começou quando o Zeca do PT foi eleito como governador. O esquema conosco era de acerto de pagamento de propina em troca de redução de pagamento de ICMS no Estado”, disse aos procuradores.

O delator ainda afirmou que no atual governo, o próprio Azambuja seria o cuidador dos trâmites do esquema e detalhou as negociações.

DETALHES

Os delatores também dão detalhes de como funcionou o suposto pagamento de propina no atual governo, de Reinaldo Azambuja. A soma seria de R$ 38 milhões. Um documento aponta que as negociações começaram ainda na campanha eleitoral, em 2010. Na primeira lista de notas aparecem quase R$ 13 milhões à empresa Buriti Comércios de Carne.

A outra sequência de notas soma mais de R$ 15 milhões; R$ 7,6 milhões em nome de Élvio rodrigues e ainda dos atuais secretários: Márcio Monteiro, de fazenda; Zelito Alves Ribeiro, coordenador político do governo, e Nelson Cintra Ribeiro, assessor da secretaria de governo. No total, em nome deles os valores chegam a R$ 2,3 milhões.

Também aparecem os nomes de políticos do estado, o deputado estadual Zé Teixeira, do Dem. As notas em nome dele chegam a R$ 1,6 milhão. E em nome do ex-deputado estadual Osvane Ramos constam R$ 847 mil.

O empresário Wesley Batista ainda revela que, nos últimos anos, costumava ter contato direto com Azambuja e que pagou a ele R$ 10 milhões. “O próprio governador tratava comigo, ele próprio. O Boni ia lá no Palácio do Governo em Campo Grande. Essas notas o Boni pegou em mãos com o governador, essas notas fiscais e processou o pagamento. E a mesma coisa, é incentivos fiscais pra redução de ICMS” conta Wesley.

O empresário também revelou que durante a campanha para o governo do estado, em 2014, quando Reinaldo Azambuja e Delcídio do Amaral disputaram o cargo, foi feito um pagamento a Delcídio, numa espécie de acordo.

“Aqui tem um fato que acho que vale ressaltar no Mato Grosso do Sul que eu acho que ele é um fato relevante. Na campanha foi o Reinaldo e o Delcidio do Amaral candidatos. o Joesley autorizou que foi tratado com ele, adiantamento para o Delcidio do Amaral pra campanha dele para ser descontada se ele fosse governador nesse esquema. Ficou lá um conta corrente que o Joesley negociou com o Delcidio e com o Reinaldo, que se o reinado ganhasse, um iria pagar a conta do outro

Comentários