Operação Espada da Justiça é desencadeada em Campo Grande e interior de MS

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), em atividade de apoio tático e operacional, cumpriu na manhã desta sexta-feira (18/10), em operação denominada “Espada da Justiça”.

Foto: Divulgação/MPMS.

Mandados de Busca e Apreensão Domiciliar e Pessoal, devidamente autorizados pelo Tribunal de Justiça, nas cidades de Campo Grande, Aquidauana e Rochedo.

A investigação, presidida por Desembargador-Relator, na forma do Regimento Interno do TJMS, tem atuação da Procuradoria-Geral de Justiça, e apura eventuais delitos de corrupção e associação criminosa, supostamente praticados em autos de Inventário, durante período de atividade funcional de Membro do Poder Judiciário em Vara de Família e Sucessões da Capital, e outros desdobramentos.

O alvo principal da operação é o juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, titular da 5ª Vara de Família e Sucessões da Capital. Em um dos casos investigados, conforme o Gaeco, houve solicitação de vantagem indevida de R$ 250 mil para a autorização judicial para venda de um imóvel inventariado em processo.

Na operação, os promotores do Gaeco investigam prática dos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo desembargador Luiz Gonzaga Mendes Marques.

São alvos de mandados de busca pessoal e de busca e apreensão, além do magistrado, o advogado Wilson Tavares de Lima, André Scaff Raffi e Jesus Silva Dias. Também há mandados de busca e apreensão contra Vanja Maria Alves (sogra do magistrado) e Aldo Ferreira da Silva (pai dele).

Conforme o Gaeco, André Scaff Raffi e Aldo Ferreira da Silva Júnior, mantinham parceria comercial de revenda de veículos, intermediada por Wilson Tavares de Lima e Jesus Silva Dias. A união destes quatro, porém, ia além do simples comércio de automóveis, alega o Gaeco, e informa o desembargador no relatório da autorização dos mandados: “Os investigados, em tese, unidos de forma habitual e permanente, dedicavam-se a ações criminosas, relacionadas, especialmente, com a prática de atos ilegais no âmbito dos processos judiciais que tramitam na 5ª Vara de Família e Sucessões desta Capital, da qual Aldo é juiz titular, embora atualmente esteja afastado de suas funções”.

Quanto à sogra e o pai do magistrado, a suspeita é de que eles seriam o destino das transferências bancárias com recursos obtidos por meio do esquema criminoso investigado pelo Gaeco.

DEPOIMENTOS
Além dos mandados de busca pessoal, o desembargador Luiz Gonzaga Mendes Marques também determinou o depoimento de mais oito pessoas.

Quanto à prática de corrupção ativa, as equipes do Gaeco têm evidências de que o grupo, chefiado pelo juiz, teria agido para oferecer vantagens a testemunhas para alterar depoimentos quando as investigações já haviam começado.
A corrupção passiva estaria caracterizada no recebimento de vantagens para decisões judiciais.

AFASTAMENTOS
Aldo Ferreira está afastado de duas funções por força de duas investigações. Em um delas, ele também teria se envolvido em irregularidades no pagamento de precatórios. O afastamento, por este caso, ocorreu em novembro do ano passado.

O outro caso é a cobrança de propina na venda de uma fazenda, e que deu origem à operação desencadeada nesta sexta-feira.

Operação Espada da Justiça – Faz alusão à ideia da coragem de cortar na própria carne quando necessário.

 

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