OMS declara emergência internacional por surto de ebola na República Democrática do Congo

G1/JP

Integrante da equipe médica para o tratamento de ebola em Uganda (Foto: Isaac Kasamani/AFP)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, nesta quarta-feira (17), que o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se tornou uma emergência internacional de saúde pública. Em uma entrevista coletiva com jornalistas por telefone, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que, embora ainda não haja registros de transmissão de ebola em países vizinhos, dois casos de pessoas que cruzaram a fronteira da RDC com a Ruanda e Uganda e depois foram diagnosticadas com o vírus levaram a organização a tomar a decisão.

“O risco de disseminação na RDC e na região segue muito alto, mas o risco de disseminação fora da região permanece baixo”, ressaltou Ghebreyesus a jornalistas.

O diretor-geral explicou que “não há evidência de transmissão” do vírus na Uganda e na Ruanda. “Mas, como os dois eventos indicam uma disseminação do vírus, o comitê pediu que eu declarasse emergência de preocupação internacional.”

Robert Steffen, presidente do Comitê de Emergência de Regulações Internacionais de Saúde da organização, explicou ainda que essa “ainda é uma emergência regional e de forma alguma uma ameaça global”.

Ajuda 

Apesar da declaração de emergência internacional, as duas autoridades recomendaram aos países que não fechem fronteiras nem restrinjam as viagens e negócios com a RDC ou os países vizinhos.

“Isso provocaria um impacto terrível na economia da região”, explicou Steffen, ressaltando que as “consequências negativas” do isolamento da RDC e de outros países da região incluem, por exemplo, menos dinheiro para prevenir a disseminação do vírus.

Além disso, segundo ele, o fechamento de fronteiras ou limitação de viagens estimularia a população a buscar alternativas ilegais de cruzamento de fronteiras, que atualmente estão sendo monitoradas de perto justamente para evitar que pessoas saiam do país portando o vírus.

Por isso, a consequência desse isolamento não afetaria apenas os países já afetados, mas aumentaria o risco de outros países acabarem entrando na zona de transmissão do vírus.

“Mais de 75 milhões de checagens para detectar o ebola já foram feitas em fronteiras e outros checkpoints”, ressaltou Ghebreyesus sobre uma das ações locais para prevenir a epidemia.

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