Oficina de Graffiti orienta professores a aplicar a técnica em sala de aula

Foto Divulgação
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Foram realizadas na manhã deste sábado(6), duas oficinas de Graffiti, ministradas por Guto Naveira e Pedro Vasciaveo, na Escola Estadual Riachuelo. As oficinas fazem parte da programação do 1°Seminário Estadual Cultura e Educação – Território da arte na Escola, promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei) e Secretaria de Educação.

O professor Pedro Vasciaevo, ministrante de uma das oficinas, explica que o graffiti é escrita, inscrita nas paredes da cidade, é cor, linguagem, textura, intervenção, arte e denúncia urbana. Generalizou-se pelo mundo a partir de maio de 1968, quando, no contexto de revolução cultural, os muros de Paris foram tomados por inscrições de caráter poético, político.

Segundo material elaborado por ele para a oficina, o graffiti tornou-se popular e adquiriu formas nas ruas de Nova Iorque. No Brasil, mais fortemente em São Paulo, surgiu na década de 1970, primeiro por pichações poéticas e políticas, depois com stêncil-art (com reprodução seriada). Já nos anos 1990, ampliou sua presença para as periferias no rastro do hip hop. Hoje, está incorporado de tal forma na vida urbana que já faz parte da identidade das cidades.

O professor Pedro Vasciaveo participa do projeto AJA-MS (Avanço do Jovem na Aprendizagem), que oferece oficinas na Escola Estadual Riachuelo. Ele diz que o índice de evasão na escola diminuiu depois da implantação do projeto. Pesquisa feita por ele informa que o conhecimento sobre o graffiti pode ser aproveitado pelo professor para discussões construtivas em sala de aula. O graffiti, inclusive de grafiteiros alunos de escolas públicas, como proposta de ensino, pode possibilitar essa construção de narrativas próprias, considerando o aluno como sujeito histórico, ao mesmo tempo em que pode proporcionar a leitura de seus interlocutores tornando a cidade e a escola num texto a ser lido e interpretado, gerando crítica, diálogo e interação em sala de aula.

A oficina consistiu numa aula básica de graffiti para ser aplicada em sala de aula. “Eu trabalho o teórico por seis meses. É importante ter a teoria na ponta da língua para se fazer a prática. Depois dos seis meses os alunos passam a pintar as paredes”, diz.

A professora de Artes do ensino fundamental e médio de Jardim, Liliana Silveira, participa da oficina motivada pelo interesse que seus alunos têm em arte urbana. “Temos que tirar a ideia de marginalidade, desmistificando o graffiti. É uma forma de expressão que está mais próxima deles, é interessante a eles”.

Olívia Regina Ortunho, professora de Artes no município de Três Lagoas, já tem experiência com graffiti, pois aplicou a técnica com seus alunos do terceiro ano. “É uma experiência gratificante. Eles se identificaram, fizeram pesquisa, desenvolveram trabalhos legais, em sulfite, no caderno. Eu gosto muito de desenho. A gente tem que trabalhar com arte contemporânea. Está legal a oficina, são bem minuciosos os detalhes. O graffiti é uma coisa maravilhosa, uma arte espontânea”.

Na sala ao lado aconteceu outra oficina de Graffiti, ministrada pelo artista Guto Naveira. Guto passou aos alunos as principais técnicas do graffiti artístico e ofereceu um panorama da arte, apresentando alguns dos artistas mais importantes. “o objetivo não é formar o artista, mas sim orientar o professor para poder trabalhar em sala de aula.

Guto trabalha há oito anos com graffiti para crianças e conhece situações para se ter material para transportar esta arte para os educadores. Ele explica que há dez anos, era uma arte marginal, mas hoje é arte contemporânea para paredes. Ele ministra curso na comunidade Dom Antônio, na região da Cidade de Deus, para 700 crianças, e utiliza o graffiti como uma das ferramentas de educação e ensino. “O graffiti é conceitual, dinâmico, atual, contemporâneo”.

Ele orienta os participantes a navegar pela internet para observar trabalhos de artistas conceituados. Os alunos visualizaram o maior painel do mundo, que está no Brasil, tem 2,6 metros quadrados, intitula-se “Etnias” e foi concebido pelo artista Eduardo Kobra, por ocasião dos Jogos Olímpicos. Também observaram obras de Camila Pavanelli (que assina seus trabalhos como Minhau), Os Gêmeos, Chivitz e Banksy. A assinatura no graffiti chama-se TAG.

Ele sugere que sejam pesquisados vídeos educativos de Ivan Quirino, artista de 26 anos de Curitiba, que dá aulas de desenho na internet. “Antes de se fazer o desenho tem o momento de vislumbre, o desenho na cabeça da gente. Deve-se imaginar primeiro passando pro formas geométricas”, diz.

Ele dá alguns exemplos de desenhos, no quadro, para serem copiados pelos alunos visando exercitar sombra e luz. “Para passar a mensagem tem um processo, o emissor (artista) e o receptor (o público). A cena aqui em Mato Gross do Sul ainda é nova, os artistas estão começando a caminhar”.

Uma das participantes, Jetiane Silva Padilha Benevides, é professora de Artes Visuais do primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental e veio para poder aprimorar as técnicas. “Eu nunca trabalhei com graffiti. É em contemporâneo e atual, a criançada tem a curiosidade de fazer, se interessam. Vim para aprimorar os conhecimentos e aplicar em sala de aula”.

Seu colega Luciano Soares, também professor de Artes em Nova Alvorada do Sul, já trabalhou com murais. “É bem divertido, chama a atenção, deixa a escola bonita”. Ele dá aulas na Escola Estadual Delfina de Souza e diz que as paredes das salas de aula foram trabalhadas com graffiti. “Vim para ter experiência, adquirir conhecimento dessa área, observar pontos de vista. A gente não tem isso muito na faculdade [de Artes Visuais]. É preciso separar o graffiti da pichação. O graffiti é uma coisa que se planeja. Dentro da escola, ajuda a evitar a pichação. Os alunos pintaram as pilastras com os nomes deles para evitar que escrevam nas paredes. A gente inventa e cria e a diretora dá o aval”.

O 1°Seminário Estadual Cultura e Educação – Território da arte na Escola continua hoje, no período da tarde, e vai até amanhã, domingo, 7 de agosto. Para mais informações e conferir a programação, basta acessar o site www.seminarioculturaeeducacao.art.br .

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