Odebrecht tinha setor dedicado ao pagamento de propinas, diz PF

A Força-tarefa responsável pelas investigações da Operação Lava Jato identificou, dentro da estrutura organizacional da empreiteira Odebrecht, um setor inteiramente destinado ao pagamento de propinas, com funcionários dedicados e um sistema eletrônico desenvolvido especificamente para este fim, disseram delegados da Polícia Federal e procuradores da República em entrevista nesta terça-feira (22), na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Fachada da Odebrecht em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (14). A Polícia Federal deflagrou hoje a operação Fairplay, que apura superfaturamento na construção da Arena Pernambuco. Os policiais estão em várias sedes da Odebrecht no país. São 10 mandados de buscas e apreensão. Entre os investigados está o Comitê de Gestão Público Privada do Governo de Pernambuco. Marcos Bezerra/Futura Press
Fachada da Odebrecht em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (14). A Polícia Federal deflagrou hoje a operação Fairplay, que apura superfaturamento na construção da Arena Pernambuco. Os policiais estão em várias sedes da Odebrecht no país. São 10 mandados de buscas e apreensão. Entre os investigados está o Comitê de Gestão Público Privada do Governo de Pernambuco. Marcos Bezerra/Futura Press

Em planilhas apreendidas ainda na 23ª fase da Lava Jata, chamada Acarajé, foram identificados pagamentos em espécie a centenas de recebedores. O dinheiro, de acordo com as investigações, seria fornecido por meio de até oito contas mantidas por doleiros em favor da Odebrecht. Em apenas uma das contas, foram identificados R$ 66 milhões disponíveis para o pagamento de propinas.

Segundo avaliação dos procuradores do Ministério Público Federal, os pagamentos foram aprovados por diretores responsáveis pela supervisão de obras como as da Arena Corinthians, em São Paulo, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014; de metrôs no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul e do aeroporto de Goiânia.

Nas tabelas, constavam valores, endereços e codinomes de recebedores de propina e dos executivos de alto escalão da Odebrecht que autorizavam os pagamentos, entre eles a sigla MBO, que segundo a equipe responsável pela investigação, corresponde a Marcelo Bahia Odebrecht, presidente-executivo da companhia.

“A sigla MBO surge em diversas planilhas”, disse a procuradora da República Luana Gonçalves. “A nosso ver não há qualquer dúvida da participação pessoal de Marcelo Bahia Odebrecht, não só no sentido de ter conhecimento, mas também de pessoalmente agir para pedir o pagamento a terceiros.”

A 26ª fase da Lava Jato é chamada Operação Xepa e envolveu cerca de 380 policiais federais, no cumprimento de 110 ordens judiciais nos estados de São Paulo, Rio de janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. Estão sendo cumpridos 67 mandados de busca e apreensão, 28 mandados de condução coercitiva, 11 mandados de prisão temporária e 4 mandados de prisão preventiva.

O procurador da República Carlos Fernando Lima afirmou que não há agentes política alvos de mandados nesta fase da Lava Jato. Foram presos temporariamente ou preventivamente diversos executivos da Odebrecht e operadores financeiros do esquema na empresa. (TERRA)

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