OAB exige reconstituição da morte de empresário e possível afastamento de delegada

Lúcio Borges

Delegada responsável pelo inquérito em coletiva de imprensa

O caso da morte do empresário Adriano Correia do Nascimento, além da revolta pelo fato em si e dá polemica decisão da soltura do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, que cometeu o crime, tem rendido ações da população, de entidades de defesa como a OAB-MS e MPE-MS (Ministério Público Estadual), que requereu ontem uma nova prisão do agente da PRF. Já a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul, que havia requerido ação no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra a liberação do acusado, agora, no fim da tarde desta quarta-feira (4) pediu oficialmente a Policia Civil que se faça a reconstituição da morte de empresário e também, se possível, afaste a delegada Daniela Kades, que está responsável pelo inquérito. A Ordem alega que as investigações estão sendo conduzidas de forma parcial e até já com erros no processo, que comprometem as apurações e a própria delegada.

O presidente da OAB/MS, Mansour Karmouche, protocolou ontem, na própria delegacia, dentro do processo, um pedido de reconstituição simulada do caso em Adriano, 33 anos, foi morto pelo agente da PRF, de 47 anos, na Avenida Ernesto Geisel coma Rua 26 de agosto, na manhã de sábado, 31 de dezembro. Caso haja negativa, a seccional vai pedir também o afastamento da delegada responsável pelo inquérito. Karmouche, disse a pouco ao Página Brazil, que pedido foi feito sob o mais estrito  argumento de que delegada está conduzindo a investigação de maneira parcial, considerando a forma do trabalho e em base nas próprias declarações públicas da autoridade policial.

“A delegada já afirmou que está investigando ou adotou a linha sobre a legítima defesa, alegada pelo autor da ocorrência. Ela disse ainda que não iria fazer apuração além disso e que não haveria reconstituição do fato, do crime. Com isto ela está delimitando uma investigação de grande proporção, que requer o caso. E no início do inquérito, ela já fala em legítima defesa? Coisa que ela nem poderia se pronunciar em si, como a todo fato, como vem fazendo publicamente. O processo está em curso, em inicio curso, ela não pode ficar falando. O que já vejo, que a senhora delegada já falou demais”, disse Karmouche.

O titular da OAB-MS é ainda mais critico ao lembrar-se do crime em si e do que ou como deveria ser conduzida uma investigação. “A delegada já adotou uma única linha de investigação, que pela Polícia não pode ser descartada nenhum indício, de imediato, ainda mais quando o mesmo tem forte ‘acusação’ ou probabilidade. Além, que com todo respeito a linha adotada, vai totalmente contraria a realidade dos fatos. Ela não pode delimitar, tem que faer todo o que um processo requer e tem apontado em Lei. Ouvir testemunhas, muitas em casos gravíssimo como este, e, fazer sim, obrigatoriamente a reconstituição da ocorrência, que é crime hediondo, e a própria policia já registrou, como deveria ter sido feito, como homicídio doloso, quando há intenção. Então vemos, tudo indo ao contrário. Não é possível”, exclamou o presidente.

OAB com base

O fato requerido pela OAB-MS, tem base e deve mesmo complicar a delegada, pois testemunhas ainda não foram ouvidas e, ontem, em coletiva de imprensa, Daniela Kades descartou a necessidade de se fazer a reconstituição do crime e disse que hipóteses são de legítima defesa, legítima defesa com excesso ou homicídio simples.

Outro fato, que vem sendo apontado como desvio de foco ou desproporcional a investigação, por já ter envolvido ‘terceiros’, é que o proprietário da casa noturna onde o empresário estava antes do crime, foi procurado pela polícia para fornecer as comandas usadas por Adriano e pelos seus amigos. A delegada quer saber quem forneceu bebidas ao adolescente e se a vítima bebeu, o que também é questionado como desvio de foco.

Imagem final da confusão e crime que aconteceu na Capital. (Foto: Lúcio Borges)

Nesta quarta-feira, o MPE-MS, também fez pedidos -destinados à delegada Daniela Kades- semelhante ou até maior que o da OAB-MS. Os promotores querem que seja feita a reconstituição do crime em si, e até sua antecedência, em perícia  que seja feita na avenida para constatar se empresário desviou de buraco e por isso invadiu pista onde trafegava o policial.

O MPE também quer que sejam ouvidos jornalistas que estiveram no local para fazer a cobertura do crime, testemunhas que participavam de velório em frente à avenida e a obtenção de vídeos de câmeras de segurança, de imagens publicadas em redes sociais, quebra de sigilo telefônico do PRF e elaboração de mapa de trajeto feito por Ricardo de sua casa até o local do crime também foram solicitadas.

MPE quer a prisão do PRF

O MPE pediu à Justiça que o policial seja preso preventivamente. Promotores afirmam que o PRF induziu forças de segurança ao erro e teve tratamento privilegiado do Poder Público. Na justificativa apresentada na representação, promotores afirmam que procedimento das polícias Militar e Civil não foi o correto no momento da prisão em flagrante, porque delegado deixou de ouvir os dois passageiros que estavam no carro conduzido pelo empresário. A PM no fim da tarde do sábado, divulgou nota que teria feito os procedimentos corretos.

O fato ainda, do policial ter trocado de roupa para prestar depoimento à Polícia Civil, também é questionado pelo MPE, que afirma que imagens revelam que Ricardo cometeu o crime vestido com camiseta listrada por cima do uniforme, e chegou na delegacia apenas com o uniforme da PRF.

Adriano (Foto: Reprodução/ Facebook)

O CASO

O empresário Adriano Correia foi morto pelo policial rodoviário federal após de desavença no trânsito no dia 31, em pleno centro de Campo Grande, que culminou com disparos da arma funcional do agente, que atingiu o rapaz por cinco disparos, segundo a perícia. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito. O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.

Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. No cruzamento da Rua 26 de agosto com a Ernesto Geisel, peritos apreenderam sete cápsulas de pistola, e mais uma perto do veículo da vítima, que era proprietário do Madalena Restaurante e de uma unidade do Sushi Express.

A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.

Amigos e familiares estão atentos e buscando Justiça plena para o caso e se preparam para mobilizar Campo Grande no próximo dia 07, uma semana após a ocorrência. Haverá na tarde do sábado uma manifestação pedindo apuração rigorosa dos fatos, por Justiça e Paz.

Foto Reprodução/WhatsApp

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