‘O problema é bem maior’, diz dono da UTC após doar R$ 5 milhões a Dilma

Ao acertar o repasse de R$ 5 milhões para o primeiro turno da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse ao ex-diretor financeiro da empreiteira, Walmir Pinheiro, estar diante de um ”problema bem maior”.

O relato de Pessoa a Pinheiro foi feito no dia 29 de julho do ano passado, por meio de uma mensagem de celular a que a Folha teve acesso.

”Estive com Edinho. A pessoa que você tem que ligar é Manoel Araujo. Acertado 2.5 dia 5/8 (até) e 2.5 até 30/8. Ligue para ele que está esperando. O problema é bem maior. Me dê resposta. Edinho já me passou os dados. Abs (sic)”, escreveu Pessoa a um interlocutor chamado ”WP”.

A reportagem confirmou que o ”WP” é uma referência a Walmir Pinheiro. Manoel de Araújo Sobrinho é chefe de gabinete do hoje ministro Edinho Silva na Secretaria de Comunicação Social.

Apontado como chefe do ”clube das empreiteiras”, Pessoa fez acordo para colaborar com as investigações em troca de pena reduzida. O empreiteiro relatou a pessoas próximas que o ”problema” citado na mensagem era a diferença em relação ao valor que ele esperava contribuir e a quantia que teria sido solicitada por Edinho, então tesoureiro da campanha de Dilma, de R$ 10 milhões.

Ricardo Pessoa e Dilma RousseffPessoa se comprometeu a pagar R$ 5 milhões em agosto de 2014. Outros R$ 2,5 milhões foram dados no segundo turno. Segundo a revista ”Veja”, ele combinou doar R$ 10 milhões. Antes de repassar o restante, porém, foi preso na Operação Lava Jato.

A mensagem de celular é vista por interlocutores de Pessoa como a primeira evidência de que houve um ”contraponto de ideias” entre o empreiteiro e a campanha de Dilma: ele entrou na reunião com uma expectativa, de pagar menos.

A concordância em desembolsar mais ocorreu porque foi neste encontro, segundo apurou a Folha, que Pessoa teria sido pressionado por Silva a doar para continuar tendo obras e aditivos no governo e na Petrobras. A pressão foi relatada por Pessoa em delação premiada.

O empreiteiro afirmou aos procuradores que doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma por temer prejuízos em seus negócios na Petrobras.
OUTRO LADO

A assessoria do atual ministro Edinho Silva e do seu chefe de gabinete Manoel Araújo informou que foi o dono da UTC, Ricardo Pessoa, quem procurou o comitê de campanha em Brasília “oferecendo apoio”.

“O empresário citado [Ricardo Pessoa] procurou o coordenador financeiro no comitê da campanha em Brasília oferecendo apoio”, disse o ministro na nota.

Segundo a assessoria, “ficou acordado que haveria um repasse dividido em duas parcelas de R$ 2,5 milhões no primeiro turno da eleição e, se ocorresse segundo turno, haveria um novo diálogo”.

Por isso, informa, houve mais um repasse de R$ 2,5 milhões no segundo turno.

A assessoria confirmou que Manoel Araújo foi procurado pelo então diretor da UTC Walmir Pinheiro pelo telefone citado por Pessoa, para tratar da “operacionalização” das doações.

Araújo atuou na equipe da coordenação financeira da campanha de 2014 como responsável pela emissão de recibos eleitorais, afirmou a equipe da Secom.

A assessoria do ministro não comentou o pedido inicial de R$ 10 milhões em doação que teria sido feito a Ricardo Pessoa e negou qualquer pressão sobre o empresário, dizendo que as doações “foram feitas obedecendo aos requisitos éticos e legais”.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da UTC informou que não comentaria o caso.

Fonte: Folha de São Paulo

Comentários

comentários