Novos pacotes suspeitos são enviados ao ator Robert De Niro e ao ex-vice-presidente Joe Biden

G1/JP

Polícia opera robô de eliminação de bomba nesta quinta-feira (25) do lado de fora de posto dos correios em Wilmington, no estado de Delaware — Foto: Mark Makela/Reuters

Novos pacotes suspeitos foram encontrados nesta quinta-feira (25) nos Estados Unidos, informa o FBI. Um pacote foi enviado ao ator Robert De Niro e encontrado em um imóvel no bairro de Tribeca, em Nova York. Outros dois pacotes foram enviados ao ex-vice-presidente Joe Biden e achados em postos dos correios no estado de Delaware.

Segundo o FBI, os novos pacotes têm características parecidas com os que foram encontrados anteriormente no país. Desde segunda, pacotes com dispositivos que aparentavam ser explosivos foram enviados a democratas nos Estados Unidos, entre eles o ex-presidente Barack Obama e ex-secretária de Estado, Hillary Clinton. No total, 10 pacotes foram enviados até o momento para diferentes endereços. Nenhum deles chegou a explodir.

Veja abaixo para quem foram mandados os pacotes anteriormente:

  • Barack Obama, ex-presidente
  • Hillary Clinton, ex-secretária de Estado
  • John Brennan, ex-diretor da CIA, cujo nome estava em pacote mandado para a CNN
  • Eric Holder, ex-secretário de Justiça (o pacote estava com seu endereço e retornou ao endereço de Debbie Wasserman-Schultz na Flórida)
  • Maxine Waters, deputada democrata da Califórnia (dois pacotes foram enviados em seu nome)
  • George Soros, investidor (caso ocorrido na segunda-feira)

De Niro

Fontes policiais disseram à CNN que o pacote enviado a De Niro tinha conteúdo semelhante aos interceptados nesta quarta.

Policiais se reúnem em frente ao restaurante do ator Robert De Niro, em Nova York, nesta quinta-feira (25). Um pacote suspeito foi enviado ao imóvel onde também funciona a produtora do ator  — Foto: Drew Angerer / Getty Images America Do Norte / AFP
Policiais se reúnem em frente ao restaurante do ator Robert De Niro, em Nova York, nesta quinta-feira (25). Um pacote suspeito foi enviado ao imóvel onde também funciona a produtora do ator — Foto: Drew Angerer / Getty Images America Do Norte / AFP

O pacote foi entregue com a correspondências na quarta-feira e não despertou a atenção. Por isso, passou a noite no sétimo andar do prédio onde funciona a produtora do ator, a Tribeca Productions. Neste mesmo edifício fica o seu restaurante, Tribeca Grills. Após ter visto o noticiário, o policial aposentado que havia o recebido a encomenda decidiu chamar a polícia às 4h (5h no horário de Brasília).

O objeto foi removido do local sem ser aberto e levado a uma unidade da polícia no Bronx. “Os especialistas mais treinados no mundo estão investigando o pacote suspeito de hoje em Tribeca”, postou no Twitter James O’Neill, comissário da polícia de Nova York.

Robert De Niro pouco após dizer 'F***-se Trump' no palco do Tony Awards 2018 — Foto: Theo Wargo/Getty Images North America/AFP
Robert De Niro pouco após dizer ‘F***-se Trump’ no palco do Tony Awards 2018 — Foto: Theo Wargo/Getty Images North America/AFP

Joe Biden

Em Delaware, a polícia realizou buscas em postos dos correios e encontraram dois pacotes endereçados ao ex-vice-presidente de Barack Obama, o democrata Joe Biden. Segundo a NBC, um deles foi encontrado em um posto do correio de New Castle e outro em Wilmington.

Ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao lado do ex-presidente Barack Obama em imagem de arquivo — Foto: Susan Walsh/AP
Ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao lado do ex-presidente Barack Obama em imagem de arquivo — Foto: Susan Walsh/AP

O FBI informou na quarta que todos os pacotes interceptados continham dispositivos com potencial destrutivo e as mesmas características: envelope pardo, seis selos com bandeira dos EUA e endereço de remetente de Debbie Wasserman-Schultz, deputada democrata pela Flórida.

A CNN divulgou uma imagem que mostra que o pacote enviado a Robert De Niro tem o mesmo padrão. Veja:

Ninguém assumiu a responsabilidade pelos envios e até o momento ninguém foi detido. Uma força-tarefa antiterrorismo com agências da lei federais, estaduais e locais, liderada pelo FBI, busca os responsáveis.

Imagem obtida pela rede NBC mostra uma das possíveis bombas apreendidas nos EUA — Foto: NBC
Imagem obtida pela rede NBC mostra uma das possíveis bombas apreendidas nos EUA — Foto: NBC

A composição exata dos pacotes ainda não está clara. Um agente especial do FBI, a polícia federal americana, disse à CNN que os dispositivos “pareciam ser bombas de cano” (bomba feita com um pedaço de cano, um tipo comumente associado a fabricação caseira).

Onda de alertas

A onda de alertas de bomba começou na segunda-feira, depois que um dispositivo foi encontrado na residência em Nova York do bilionário e filantropo liberal George Soros, financiador do Partido Democrata.

Entre terça e quarta, outros pacotes suspeitos foram enviados em Nova York, Washington, Flórida e Califórnia, para democratas como a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, o ex-presidente Barack Obama e a deputada Maxine Waters, que tinha dois pacotes em seu nome, um enviado a seu escritório em Washington e outro a Los Angeles.

A emissora CNN também precisou ordenar a retirada de todos seus funcionários de sua sede em Nova York, depois que um suposto explosivo foi encontrado na sala de correspondência, juntamente com um envelope contendo um pó branco. Um esquadrão antibombas neutralizou o dispositivo e o enviou para análise.

O pacote à CNN destinava-se ao ex-diretor da CIA, John Brennan, que apareceu na emissora como um convidado e talvez seja o crítico mais ferrenho de Trump na comunidade de segurança nacional.

Todos os destinatários até o momento tem em comum o fato de serem oposição ao governo de Donald Trump, e muitos já foram alvos de ataques o presidente.

Trump: ‘ataque contra democracia’

Trump afirmou na quarta à noite que “qualquer ato ou ameaça de violência política é um ataque contra a própria democracia” e que manter o país seguro é uma prioridade. Também pediu unidade ao país, afirmando que “atos de violência política não têm lugar nos Estados Unidos”. Ele também pediu que a mídia pare com a “hostilidade sem fim” e com os “ataques falsos” em comentários sobre as bombas.

Nesta manhã, ele voltou a se manifestar, agora no Twitter, acusando redes de comunicação por provocarem raiva e retórica de ódio contra políticos.

“Uma parte muito grande da raiva que vemos hoje em nossa sociedade é causada pelas reportagens propositalmente falsas e imprecisas da mídia tradicional à qual me refiro como Fake News. Ficou tão ruim e odioso que está além da descrição. Os principais veículos de imprensa devem limpar seu comportamento, rápido!”, declarou.

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