Novos medicamentos para hepatite C chegam à rede pública em novembro

Parte da nova terapia para o tratamento de hepatite C, incorporada ao SUS neste ano, começará a ser entregue aos Estados no início de novembro, segundo o Ministério da Saúde.

Foto: Elza Fiúza/ Agência Brasil
Foto: Elza Fiúza/ Agência Brasil

O cronograma foi divulgado nesta terça-feira (20). Os primeiros remédios a chegarem às unidades especializadas de distribuição são o sofosbuvir e daclatasvir. A previsão é que eles atendam a 80% dos pacientes que farão uso do novo tratamento.

Após chegarem às secretarias de saúde dos Estados, os remédios devem ser distribuídos pelos gestores aos municípios, que repassarão os comprimidos aos pacientes. A previsão é isso ocorra até meados de novembro.

Um terceiro medicamento que faz parte da terapia, o simeprevir, deve ser distribuído em dezembro, informa a pasta.

Até então, os novos medicamentos estavam disponíveis apenas no exterior, a custos altos -em alguns casos, o fornecimento a um só paciente que recorria à Justiça para obter os remédios custava até US$ 250 mil.

A possibilidade de trazer os medicamentos ao Brasil já havia sido aprovada pela Anvisa no início deste ano. Em seguida, os remédios foram avaliados para que fossem incorporados à lista do SUS.

Cerca de 11 mil pessoas já foram cadastradas pelos serviços de saúde para receberem o novo tratamento -a estimativa é atingir 30 mil pessoas até o próximo ano, o equivalente às unidades recebidas para a nova terapia.

O valor investido na compra deve chegar a R$ 1 bilhão, diz o ministério.

NOVA TERAPIA

Hoje, o tratamento ainda disponível na rede pública, com medicamentos combinados ao Interferon, tem chances de cura de até 47%. Com os novos remédios, esse índice chega a 90%. Já o tempo de tratamento passa de um ano, em média, para três meses.

O novo tratamento deve beneficiar pacientes que não podiam receber os remédios antes disponíveis, como portadores de HIV, pessoas que passaram por transplante ou que não respondiam aos demais medicamentos.

“Esperamos dentro do próximo ano tratar aproximadamente 30 mil pessoas que preenchem esse protocolo. Pessoas que tem estágio avançado da doença, com coinfecção, ou que tenham sido tratadas e que não tenham se curado”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Castro, que assumiu o cargo há duas semanas.

A inclusão dos três medicamentos faz parte do novo protocolo clínico para diagnóstico e tratamento da doença, divulgado neste ano. Além dos medicamentos, o novo protocolo incorpora ao SUS três novas alternativas de exames capazes de detectar complicações por hepatite C e que definem a necessidade de início do tratamento.

Antes, isso era possível apenas por meio de biópsia. Agora, há possibilidade de adotar outros modelos, por meio do cruzamento do resultado de exames de sangue ou por uma elastografia hepática, exame que verifica o grau de comprometimento do fígado.

HEPATITE C

Desde o início da oferta do tratamento para hepatite C no SUS, há 13 anos, cerca de 120 mil casos da doença já foram confirmados no Brasil. A estimativa é de 10 mil novos casos da doença sejam notificados a cada ano.

A transmissão ocorre principalmente por meio do contato com sangue contaminado, mas também pode ocorrer por contato sexual ou ser transmitida de mãe para filho, na gravidez ou parto. A doença, considerada silenciosa por ter poucos sintomas, pode levar a complicações como cirrose e câncer de fígado.

Folha.com

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