Novo Ministro da Justiça questiona inquérito e processo de cassação de Temer

Lúcio Borges com Agências

O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, antes titular da Controladoria-Geral da União, defendeu em entrevista ao Estado de S. Paulo na sexta-feira passada (26), que haja um “reexame” do inquérito aberto contra o presidente Michel Temer (PMDB) no STF (Supremo Tribunal Federal).

Torquato questiona a competência do ministro Edson Fachin como relator do inquérito que investiga Temer. O ministro também é ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral),.

Ele diz que é “recomendável” que haja um pedido de vista na retomada do julgamento da ação contra a chapa Dilma-Temer. Ele foi novamente procurado pela reportagem do Estado após sua nomeação para comentar as afirmações, mas não respondeu.

Na entrevista, Torquato minimizou a repercussão do encontro gravado entre o dono da JBS, Joesley Batista, e do presidente Michel Temer, que deu origem às investigações no STF e mais de 13 pedidos de impeachment. Para o ministro, o encontro faz parte da “cultura parlamentar”, resultado de seus 24 anos como deputado.

“A cultura parlamentar é muito informal, ele conversa com quem o procura, porque ele vive do voto”, disse Torquato. “A imagem que qualquer parlamentar tem que projetar é a de pessoa afável, acessível a qualquer hora e qualquer lugar. Isso é da cultura de qualquer parlamentar, em qualquer parlamento, de qualquer país”.

Mesmo questionado se o encontro não seria questionável por ter ocorrido fora de agenda pública, na residência oficial de Temer e com um empresário investigado pela Justiça, Torquato afirmou que a conduta do presidente “não foi algo estranho à cultura de um parlamentar”.

O ministro não quis comentar os assuntos conversados entre Temer e Joesley Batista nas gravações feitas pelo dono da JBS. “Não posso comentar sem o laudo técnico da fita. […] O Brasil vai ter que esperar 30 dias, senão fica na especulação, o assunto é muito sério para ter especulação”, completou.

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