Nobel da Paz quer visitar Lula marcando agenda para esta semana, após 2º Nobel também aderir campanha

Lúcio Borges

Juiz Sergio Moro, que condenou Lula, após ele ter recebido Esquviel em 2017

O Prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, encerrando os preparativos para uma visita ao Brasil, onde desembarca nesta segunda-feira (16), para uma estadia de cinco dias, já definiu os pontos principais da agenda. Entre a programação, ele fez questão de colocar uma visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há 10 dias em carceragem da Polícia Federal em Curitiba-PR. O ‘Nobel da Paz’ de 1980, é idealizador de uma possível indicação do brasileiro Lula ao premio.

Esquivel pretende estar em Curitiba, nesta quarta-feira (18), onde em companhia de um grupo de parlamentares sul-americanos, pretende fazer uma visita a Lula, encarcerado em sala isolada da PF, desde a noite do sábado, 7 de abril, quando se apresentou aos policiais encarregados de sua prisão. A ida a capital paranaense será dois dias depois de já estar no país, tendo iniciado percurso, que começa hoje, pelo Rio de Janeiro.

O titulo ou mesmo a candidatura, que seria inédita ao Brasil, já havia sido pensada pelo argentino, antes da prisão e que após, foi ratificada e até ampliada, com lançamento na semana passada de uma petição, que já atingiu mais de 220 mil assinaturas, como Página Brazil noticiou na última sexta-feira. O documento vem sendo assinado por diversas personalidades e outros agraciados com o prêmio. O egípcio Mohamed El-Bardei, que em 2005 recebeu o Prêmio Nobel da Paz em nome da Agência Internacional Atômica, aderiu à campanha para que Lula receba o Nobel. A assinatura de El-Baradei é extremamente simbólica porque ele acompanhou as negociações conduzidas pelo Brasil e pela Turquia sobre o programa nuclear iraniano.

A pretensa visita como outras agendas, foram compartilhadas por Esquivel, por meio de uma nota pela rede social na petição (abaixo-assinado) Premio Nobel de la Paz para Lula Da Silva / Prêmio Nobel da Paz a Lula Da Silva / Nobel Peace Prize to Lula Da Silva”. Lá ele fala de sua vinda ao Brasil.  A primeira escala da viagem será no Rio, onde estará presente em eventos em duas universidades e irá participar de um ato em homenagem a vereadora Mariella Franco, do PSOL, executada com quatro balas na cabeça em 14 de março.

Perigo não só pelo Brasil, mas ao mundo com o exemplo

Ainda em Buenos Aires, Esquivel tem se dedicado a conversar com advogados e militantes brasileiros que podem ajudá-lo a conseguir autorização para visita e conversa que, se for impedida, irá produzir um inesquecível vexame internacional na reputação do país. Analista lembram que o País já começa a ser olhado com desconfiança no exterior, depois da deposição de uma presidente eleita e, agora, pela condenação, que muitos e expressivas lideranças, apontam que foi sem prova, contra um então agora candidato favorito as eleições presidenciais marcadas para outubro.

“O que fizeram com Lula é uma injustiça”, diz Esquivel. Tudo está sendo feito para impedir que ganhe a eleição. Querem que ele desapareça do noticiário, que que se torne invisível”, disse em entrevista por telefone ao Portal 247.

Para Esquivel, “as democracias estão em perigo, em várias partes do mundo, com golpes no Brasil, Paraguay, Honduras. Temos de ficar atentos porque, em alguns lugares, os militares estão voltando. Pode ocorrer uma remilitarização”. Perguntado se teria um conselho para ser seguido nessa situação, ele afirma: “é preciso dar prioridade aos pontos que nos unem e não valorizar as diferenças. A partir disso pode-se fazer propostas”.

Convencido da inocência de Lula, Esquivel conta que, durante a última visita a São Paulo, quando esteve no Instituto para encontrar-se com o ex-presidente, os dois tiveram uma conversa esclarecedora sobre o caso. “Ele me explicou que nunca foi dono daquele apartamento que diziam que era dele, mas montaram tudo para que pudesse ser condenado de qualquer jeito”.

Parecido comigo?

Idealizador de uma campanha para dar o Premio Nobel da Paz a Lula, que já ultrapassou a marca de 220 000 adesões pela internet, até a sexta-feira (13), como já mencionamos, Esquivel se diverte quando pergunto se é possível imaginar que Lula receba uma homenagem tão importante quando se encontra numa situação tão difícil como a atual. “Eu estava preso quando resolveram me dar o Nobel”, diz.

Ao lado de uma corajosa militância contra a tortura e execução de presos políticos na Argentina e em outros países latino-americanos, no início dos anos 1970, Esquivel teve um papel importante na criação da Comissão de Direitos Humanos na ONU, que daria uma outra estatura a um drama essencial das democracias mas que até então era encarado como um problema secundário.

Em 1977 ele foi preso e torturado pelos militares argentinos. Conseguiu ser solto no ano seguinte, sem que jamais lhe dessem uma explicação formal pelo encarceramento. Foi para casa num regime de liberdade vigiada, pelo qual tinha obrigação de prestar contas de seus movimentos a polícia. Iniciados em 1979, os esforços para lhe dar o Nobel trouxeram resultado no ano seguinte, quando foi a Oslo, capital da Noruega, receber a mais respeitada homenagem política de nossa época — até então, era proibido de deixar o país.

No discurso de agradecimento, fez um discurso vigoroso, unindo os direitos políticos a necessidade de garantir condições de vida decentes para a população pobre e excluída, de modo a assegurar uma vida melhor em todos os seus aspectos.

Prêmio não é individual

Pela entrevista, se fala que muitos brasileiros cultivam uma frustração pelo fato de que nenhum de nossos conterrâneos recebeu um Nobel, em qualquer categoria. Contudo, Pérez Esquivel deixa claro que não se trata de uma honraria pessoal, já explicando ou mencionando que este é o argumento que ele já emprega para defender o Nobel a Lula. “O Premio não é para a pessoa agraciada. É para o povo, a um feito pela nação e até ao mundo”, explica.

“E Nenhum presidente, em nenhum país do mundo, fez o que Lula fez, que foi retirar 36 milhões de pessoas da miséria e da fome. Isso isso é reconhecido pela FAO e outras entidades internacionais, todas respeitadas. Este trabalho, que hoje serve de exemplo para vários países, tem importância para toda a humanidade”, avaliza Esquivel.

No tom de quem está convencido de suas razões, Pérez Esquivel só adverte que será preciso ter alguma paciência.”É que a lista de possíveis indicações para este ano já está fechada e será preciso fazer um trabalho pensando no próximo”, finaliza.

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