No TJ, Gilmar Olarte nega agiotagem e promessa de favores

O prefeito afastado Gilmar Olarte, PP, negou conhecer o agiota Salem Pereira Vieira, durante depoimento ao desembargador Luiz Cláudio Bonassini, que apura denúncia da Operação Cheque em Branco, do Gaeco. No Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, ele confirmou conhecer Ronan Feitosa e Marly Deborah, mas negou qualquer envolvimento com a dupla.

Olarte negou as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro
Olarte negou as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro

Durante o depoimento, Olarte detalhou com precisão qual era a sua relação com o ex-servidor da prefeitura, Ronan Feitosa. Para ele, o mesmo foi usado como massa de manobra para lhe prejudicar.

Em seu depoimento, que durou 1 hora e 20 minutos, ele disse que soube, após pessoas lhe fazer cobranças, que havia dívidas da campanha eleitoral de 2012 e, por isso, seu ex-assessor, Ronan Feitosa, estava tentando levantar dinheiro.

Ao desembargador, Olarte reafirmou que os cheques começaram a ser trocados no fim de 2012, quando ele “nem havia sido empossado vice-prefeito”. “Se os cheques fossem meus eu os pagava. Pedi pro Pimentel (Rodrigo, secretário de governo, na gestão de Olarte) levantar o que estava ocorrendo e ele disse não tinha nada contra mim”.

Olarte afirmou que conhecia Ronan da igreja e que ele havia dado problema na igreja – a qual era pastor. Para a Justiça, o prefeito afastado garantiu que, assim que assumiu a administração, exonerou Ronan imediatamente dos quadros da instituição pela sua conduta.

“O Ronan foi membro da igreja. E três anos antes dessa época, ele teve problema lá, pegou cheque de irmãos e não pagou. Apresentamos o caso em assembleia na igreja e ele foi afastado. Passado os três anos, ele foi pra igreja da Coophavila. Ele tentou se reintegrar, dizia que ia mudar, demos uma nova chance a ele. Ele voltou a ser membro da igreja. O meu foco não era nem ser vereador na época. Depois, ele veio para a campanha do Alcides e Gilmar”, relatou.

Sobre a denúncia de que ele teria recebido R$ 30 mil, o prefeito afastado reiterou o que foi dito por Ronan. O dinheiro teria sido doado por uma pessoa chamada de “Ito” para a igreja pagar gastos de uma festa beneficente, como contratação de pessoas e demais despesas. “Não tive contato com o dinheiro”, afirmou em depoimento.

Por fim, Olarte ainda explicou que conhece Luiz Marcio Feliciano, tinha uma relação próxima com ele. “Não sei quantos veículos ele possui. Ele é aposentado do Exército. Ia na igreja e víamos a melhora dele na igreja. Ele tinha recebido uma indenização e deu entrada na caminhonete. Na época, ele disse: ‘Pastor me dá sua caminhonete e fica com a minha. Eu tenho uma F-250 que é maior que a dele. Ele comprou a sua financiada. Mas o Márcio era voluntário e estava fazendo serviços voluntários na igreja”.

Gilmar Olarte, Ronan Feitosa e Luiz Márcio Feliciano são réus em processo de lavagem de dinheiro e corrupção passiva decorrente da Operação Adna. Os três foram ouvidos nesta sexta-feira. Em novembro passado, aconteceu a primeira audiência de instrução, na qual foram ouvidos as testemunhas de acusação e vítimas no caso.

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