‘Neste Natal o jeito é driblar os preços altos’ para ‘ter uma ceia’

O índice da inflação acumulada em Campo Grande apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de dezembro, através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),  somou 10,14%, entre novembro de 2014 e novembro deste ano. Somente em novembro, o percentual foi de 1,29%, o segundo maior entre as 13 capitais  pesquisadas, cuja média da alta foi de 1,01%.

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Em Campo Grande, o índice acumulado neste ano foi de 8,96%, abaixo da média nacional, que nos últimos 12 meses (nov-2014/nov/2015) acumulou os 10,48% e nos primeiros onze meses de 2015 atingiu 9,62%.

No estado, o grupo “alimentação e bebidas” foi o que registrou o maior aumento em novembro: 2,78%. Em entrevistas ao portal Página Brazil, consumidores e empresários do Mercadão Municipal falaram sobre as impressões da alta de alimentos na capital nos últimos meses.

Para a professora aposentada Maria José de Queiroz, “foi necessário substituir alimentos mais caros, por outros mais em conta. Não consigo entender isso [essa alta de preços], que exige que a gente deixe de comprar muita coisa que comprava antes. Apesar de a gente querer alimentação mais saudável, como integrais, tem que ‘driblar’ alguma coisa, para manter uma alimentação mais saudável.” A pensionista Luzia Virgínia da Silva, diz que “tem visto muita gente reclamar a respeito e com razão”.

Para o vendedor de embalagens Vanderlei Silva, “os aumentos ocorrem por conta dos aumentos nos segmentos da energia, dos combustíveis. Automaticamente há o aumento dos fretes e de tudo mais que nós utilizamos.” Silva acredita que “vá gastar neste final de ano uns vinte por cento à mais do que gastou no ano passado com alimentos” e defendeu como saída, “apertar o cinto, comprar o que é necessário, não gastar com supérfluos. Largar mão de esbanjar”.

O advogado Periperes Rodrigues do Prado avaliou que “por nós estarmos na região Centro-Oeste, o transporte onera. E a crise que nós estamos passando, um país de terceiro mundo, passando por todos esses percalços, em que nossos governantes irresponsáveis, que permitem que nosso povo sofra. Esse movimento que você está vendo aqui, trata-se do seguinte: o povo está com um ‘décimo-terceirozinho’, um ‘salariozinho’ a mais, então eles estão gastando pra sobreviver e ter uma alegria no Natal, mas a coisa está ruim e vai ficar ainda pior, infelizmente”, previu.

Segundo o motorista aposentado Jorge Ferreira, “os preços estão um absurdo. A situação não está fácil. Qualquer ‘peruzinho” está R$60, R$70. Um pobre, que ganha um salário[mínimo], não tem condições de comer. Tem que reunir à família e fazer uma ‘vaquinha’, senão não tem condições de comer. Reúne a família, cada um dá um pouquinho, para fazer uma festa natalina boa. Para passar um Natal legal. Sozinho não consegue não!”

Para o empresário Adonis Guimarães Lima, proprietário de uma distribuidora de cestas básicas, “os estoques que nós possuíamos, nos permitiram ‘barrar’ os aumentos dos fornecedores, que em alguns casos, chegam a ser de duas vezes [os preços do início do ano de alguns produtos], sem repassá-los integralmente para os clientes, mas já no primeiro trimestre [de 2016], com o fim dos estoques, infelizmente, os aumentos serão inevitáveis, pela necessidade de repassar os aumentos dos preços dos fornecedores, para o consumidor final”.

Na contramão desses aumentos da maioria dos itens do grupo Alimentação está a carne. Segundo um dos diretores da Associmec – Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal de Campo Grande, Ronald Kanashiro de Alem:”Neste Natal, no contexto de preço, da cadeia de alimentos, a carne está sendo um segmento que está sendo privilegiado. É típico da época termos uma alta de preço por conta do alto consumo, mas o segmento da carne vem acompanhando a estabilidade da arroba, que tem estacionado hoje – a fêmea em R$125, o macho na casa de R$130, R$133, e o consumidor está encontrando boas propostas, com um consumo de carne muito bom neste final de ano”, comemorou. “Todos estão com o preço estabilizado. Não tem ninguém querendo inflacionar o preço da carne por conta do alto consumo não”, concluiu.

Silvio Ferreira

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