Nelsinho Trad discute tragédia da Chapecoense com Bolsonaro

Da Redação com Agência Senado

O presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores), Nelsinho Trad (PSD-MS), deverá ser recebido na terça-feira (20) pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, para tratar da batalha por justiça da Associação das Famílias das Vítimas do Voo da Chapecoense (Afav-C).

Também deverão participar da reunião os senadores Jorge Kajuru (Patriota-GO), Leila Barros (PSB-GO) e Romário (Podemos-RJ), além das presidentes e vice da Afav-C, Fabienne Belle e Mara Paiva.

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) (Foto: Agência Senado)

A iniciativa para levar esta pauta ao presidente da República partiu de Kajuru, que seria recebido na quinta-feira (15) por Bolsonaro.

Ele mesmo decidiu solicitar à assessoria presidencial o adiamento da reunião para terça-feira, uma vez que Leila e Romário não poderiam participar hoje, pois viajarão para Tocantins onde participarão de eventos da Assembleia Legislativa daquele estado.

O comunicado foi feito durante reunião da CRE nesta quinta, que voltou a debater as lutas judiciais da Afav-C envolvendo a queda do voo que levava a equipe de futebol da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana em novembro de 2016, na Colômbia.

“Precisamos envolver o governo na causa e tratarmos deste tema diretamente com o presidente Bolsonaro. A última esperança das 67 famílias que perderam seus entes queridos é o governo brasileiro. Elas precisam de ajuda e tenho certeza que o presidente vai entender”, afirmou Romário.

Impunidade

As famílias reclamam que, passados quase 3 anos da tragédia, as investigações na Colômbia e na Bolívia ainda são inconclusivas, fazendo com que nenhuma indenização seja paga na prática. O caso envolve autoridades de aviação da Bolívia pois o voo partiu de Santa Cruz de la Sierra operado pela Lamia, empresa daquele país.

Também participou da audiência, por vídeoconferência, o empresário venezuelano Ricardo Albacete, que era o proprietário do avião alugado pela Lamia. Ele vem colaborando com a Afav-C, e forneceu às famílias farta documentação tratando do envolvimento das seguradoras no caso.

“Abro mão da cláusula da confidencialidade contratual no momento em que vocês quiserem. A Aon (empresa seguradora inglesa) mente quando alega que o seguro não estava vigente. A lei boliviana é muito clara, uma aeronave só voa se estiver segurada. Cabe à seguradora avisar oficialmente à autoridade aérea caso a apólice esteja sem cobertura. Só que isso jamais ocorreu. Portanto, sob o ponto de vista legal boliviano, a aeronave encontrava-se amparada, com o seguro vigente”, disse Albacete.

O empresário venezuelano alega que além das seguradoras, também as autoridades de aviação da Colômbia e da Bolívia devem ser responsabilizadas, uma vez que participaram da cadeia de erros que levou à queda da aeronave.

A Afav-C também já dispõe de farta documentação dando conta que a Lamia era uma companhia de pouca estrutura, e que em virtude disso, descumpria normas básicas de segurança, sob a complacência das agências reguladoras. Poucos dias antes, a empresa transportou a seleção argentina para o Brasil, composta por jogadores consagrados como Lionel Messi, com uma quantidade restrita de combustível.

Essa prática, segundo os representantes da associação, acabou sendo determinante para a queda do avião que levou a Chapecoense alguns dias depois. O voo apresentou problemas e a aeronave entrou em colapso antes da aterrissagem. A Lamia também descumpria planos de voo com frequência, sem jamais ser advertida, conforme relato.

“As famílias depositam sua última esperança no Senado e no governo brasileiro. Temos que ir ao presidente da República, pois a maior parte das ações movidas pela Afav-C prescrevem em novembro. É preciso que o Itamaraty seja acionado e estabeleça um plano de ação junto às autoridades colombianas e bolivianas”, cobrou Kajuru.

“Estamos correndo contra o tempo e precisamos de um denominador comum. A indignação toma conta de nós cada vez que nos deparamos com este caso. Uma tragédia que marcou o país, e a impunidade não deve prevalecer. Vamos encontrar uma solução pra isso, podem ter certeza”, disse Nelsinho.

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