‘Não se preocupem com a gente’, escrevem garotos presos em caverna na Tailândia

BBC News Brasil

Em troca de cartas com seus familiares, meninos dizem que estão tranquilos e técnico de futebol pede desculpas a seus pais; tentativas de resgate continuam.

Em cartas carinhosas, os 12 garotos presos em uma caverna na Tailândia e seu treinador de futebol deram notícias aos familiares e foram encorajados a se manterem calmos enquanto esperam o resgate.

A troca de cartas, divulgada na página de Facebook da Marinha tailandesa neste sábado, foi a primeira desde que eles ficaram presos, há duas semanas, no complexo de cavernas na província de Chiang Rai.

Cartas são a primeira comunicação entre garotos e seus familiares desde que ficaram presos na caverna, há duas semanas
Foto: Reprodução Facebook Marinha da Tailândia / BBC News Brasil

“Não se preocupem, estamos fortes. Professora, não nos dê muito dever de casa!”, brincou um deles. Outros desenharam corações para os pais, irmãos e avós.

Em uma carta separada, o técnico Ekkapol Chantawong pediu desculpas aos pais das crianças, mas os familiares responderam que ele não deveria se culpar.

Os meninos, que têm entre 11 e 16 anos, e o treinador de futebol deles entraram na rede de cavernas há 12 dias. Eles acabaram ficando presos quando uma tempestade inundou grande parte do local e bloqueou a saída principal.

Na sexta-feira, um duto de ar foi instalado na câmara onde o grupo está preso, no complexo de cavernas Tham Luang, o quarto maior do país.

Os socorristas se preocupam com o nível de oxigênio na câmara, que as autoridades dizem ter caído para de 21% para 15%, por causa do grande número de pessoas trabalhando dentro da caverna para viabilizar o resgate.

Foto: BBC News Brasil

Vontade de churrasco e frango frito
“Não se preocupem comigo. Estou seguro”, disse um dos garotos, chamado Pong. Outro escreveu: “Nick ama papai, mamãe e os irmãos. Se eu conseguir sair, mãe e pai, por favor me tragam mookatha (tipo de churrasco tailandês) para comer”.

Tan, que é chamado de “Titan” pelos amigos, pediu que o irmão “esteja preparado para me trazer frango frito”.

Outro deles, Bew, se mostrou preocupado em ajudar a mãe em sua loja. “Não se preocupem, mãe e pai. Bew desapareceu por duas semanas. Mas depois foi ajudar mamãe a vender as coisas na loja. Vou correndo para lá”, disse.

Em sua carta, o técnico de 25 anos disse aos pais que “todos os meninos estão bem, a equipe de resgate está nos tratando bem”.

“E eu prometo que vou cuidar das crianças o melhor que puder… Peço desculpas sinceras aos pais.”

Em suas respostas, diversos familiares deixaram claro que não culpam o técnico pela situação de seus filhos.

“Os pais e as mães não estão zangados com você. Obrigado por ajudar a cuidar das crianças”, disse um casal.

Outro escreveu para o filho: “Diga ao técnico Ake: ‘Não pense demais’. Não estamos chateados com ele.”

Foi a primeira comunicação entre os meninos e seus familiares desde que falhou a tentativa dos socorristas de instalar uma linha telefônica na caverna no início desta semana.

Qual é a situação dentro da caverna?
O grupo foi encontrado numa caverna por mergulhadores socorristas britânicos 10 dias depois de desaparecer. Eles estavam sentados na saliência de uma rocha em uma câmara a cerca de 4 km da entrada da caverna.

Desde então, equipes tailandesas e estrangeiras de mergulhadores estão levando comida, oxigênio e cuidados médicos para eles.

Na superfície, uma enorme operação de resgate militar e civil corre contra o tempo para salvar o grupo.

Inicialmente, as autoridades estudaram deixá-los dentro das cavernas até o fim da estação chuvosa – o que poderia significar que eles ficariam presos por até quatro meses.

O perigo da situação ficou claro quando um mergulhador da Marinha tailandesa que participava dos esforços de resgate morreu ao tentar levar suprimentos ao grupo, na madrugada de sexta-feira.

Na superfície, uma enorme operação de resgate militar e civil corre contra o tempo para salvar o grupo. Chuvas fortes previstas para o domingo podem atrapalhar ainda mais as tentativas de resgatá-los.

Inicialmente, as autoridades estudaram deixá-los dentro das cavernas até o fim da estação chuvosa – o que poderia significar que eles ficariam presos por até quatro meses.

Falando à imprensa na sexta-feira, o governador da província de Chiang Rai diz que os garotos já têm forças para caminhar, mas não para nadar ou mergulhar para fora do local. Mergulhadores continuam a ensiná-los técnicas de mergulho e de respiração embaixo d’água.

Os socorristas cavaram mais de 100 buracos na tentativa de chegar à caverna por um caminho direto. Dezoito deles – o mais profundo com 400 metros – eram promissores, mas o governador de Chiang Rai disse que não tinha certeza se seria possível chegar até os garotos, que estariam cerca de 600 metros abaixo da superfície.

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