“Não quero atropelar os fatos, tudo tem seu tempo”, afirma Delcídio sobre sua volta à rotina política

Nádia Nicolau

Participou de entrevista ao vivo do programa Tribuna Livre, da Capital FM, nesta segunda-feira (15), Delcídio do Amaral. Ele é ex-senador por Mato Grosso do Sul e ex- líder de governo no Senado, durante mandato da então presidente da República, Dilma Rousseff.

Por diversas vezes, durante suas declarações, o político e empresário demonstrou que, mesmo após tantos escândalos em que esteve envolvido, sua vontade maior, nesse momento, é começar do zero para contribuir com o cenário político.

Engenheiro por formação, Delcídio do Amaral Gómez é natural de Corumbá (MS), e em sua vida profissional tem vasta experiência no âmbito executivo. Como empresário, ele esteve à frente de uma das maiores empresas do Brasil, que atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia, a Petrobrás. No governo, Delcídio também exerceu o cargo de ministro de Minas e Energia.

Turbulências e mudança de partido

Após todas as acusações que envolveram o nome do então senador, Delcídio disse que isso refletiu de forma bastante negativa para sua família. Por conta de seus inúmeros afazeres da vida política, o convívio familiar deixava a desejar.

“Eu era um estranho em cada. Não tinha tempo para nada. Era tão ausente que quando estava por perto, o sistema cognitivo das minhas filhas não me identificava mais”, disse.

Ex-líder do governo, Delcídio foi preso em novembro de 2015 acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Ele ficou chegou a ser preso, mas foi solto em fevereiro [2016] depois de fechar acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

Em 2016, Delcídio pediu desfiliação do PT (Partido dos Trabalhadores) e, atualmente, integra o Partido Trabalhista Cristão (PTC). No entanto, ele ainda cogita a possibilidade de trocar de partido.

Se o tempo voltasse…

“Não é feio a gente confessar que errou, o feio é persistir no erro”, iniciou Delcídio ao falar do que não faria de novo tempos atrás. Segundo ele, a reconstrução do homem e político Delcídio do Amaral será feita de uma nova maneira. Nas palavras dele próprio é preciso separar os dois, lembrando que “esse foi meu grande erro”.

O ex-senador destacou que um dos seus maiores arrependimentos do passado foi ter abraço a liderança do governo. Para ele, foi um equívoco naquele momento.

“A ânsia de querer fazer as coisas ao mesmo tempo acabou. Aprendi a delimitar os que andaram comigo e que continuam. Não quero atropelar os fatos, tudo tem seu tempo”, afirmou.

O retorno à vida política

Para Delcídio do Amaral, os planos de voltar à política está de pé e seus projetos seguem um ritmo controlado. “Vamos discutir alianças e a estrutura de um partido no Estado. Criar perspectivas nas pessoas e repensar o papel do Estado”.

Faz parte dos seus ideais, no retorno ao espaço político, uma visão e atenção especial à tecnologia, logística e agregação de valor ao que for essencial e proporcionar desenvolvimento.

Avaliação da atuação do governo no país

Analisando por uma ótica ampliada, a nível nacional e com opinião crítica, Delcídio disse que o que pensa e o que sugere a quem está no comando do país. “Estamos passando por um momento de polarização. É bom exercer a contradição, mas não do jeito que está. Nas redes sociais há opiniões absurdas, de ambos os lados”.

Ainda assim, segundo Delcídio, o governo tem novas propostas e que lentamente vai tentando se ajustar. Ele frisou que, todas as discussões em torno na reforma da Previdência – que ganhou prioridade praticamente total do Congresso Nacional – é importante, mas que nem só dessa reforma viveremos. “A gente tem que apostar que esse governo vai melhorar, precisamos fazer um esforço pelo crescimento do país”.

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