Na Capital, jogos urbanos fomentam cultura indígena

Da Redação

O mês de festividades em alusão ao Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, fechou com chave de ouro no 13º Jogos Urbanos Indígenas, realizado neste domingo (28), no Parque do Sóter em Campo Grande.

A Prefeitura, através da Funesp (Fundação Municipal de Esporte), reuniu atletas de 15 comunidades indígenas da área urbana da Capital para disputarem modalidades esportivas e disseminarem a cultura de cada povo.

Foto: Bruna Vasconcelos.

Adultos e crianças deixaram suas comunidades, sob uma fraca chuva durante a manhã, para irem até o Parque do Sóter. Os participantes, que se identificavam pela vestimenta ou pinturas, aproveitaram a oportunidade para fomentarem a cultura nativa e interagirem entre si, a fim de encerrar o mês com os tradicionais jogos de lança, cabo de guerra, arco e flecha, voleibol, futebol sete, futsal feminino e atletismo.

Silvana Terena estava sendo pintada no rosto pela filha Natielly Souza antes de começar o jogo de futsal. A moradora da Aldeia Urbana Marçal de Souza, conhecida por ser militante da bandeira da mulher indígena, explica que o evento serve como forma de celebrar a vida. “O Jogos Urbanos é uma forma de revitalização dos índios que moram no contexto urbano.”

O espaço, ainda conforme a indígena, é uma forma de respeito aos povos nato do Estado, já que a identidade de cada um é a cultura que trazem nas bagagens.

“Se ser mulher hoje é um pesa, ser mulher indígena é peso dobrado. Se não colocarmos nossa opinião, sempre vamos ser as últimas das filas. Temos que andar lado a lado com nossos líderes.”

A prova da luta, na família de Silvana, é o amor pela cultura e os ensinamos que passou para as filhas. Natielly é artesã autodidata e tem como fonte de renda as camisetas que pinta a mão livre. Apesar de jovem, a garota de 19 anos não abre mão das raízes e tradições indígenas.

Economia

Além de pinturas em camisetas, alguns moradores de aldeias urbanas levaram quadros e objetos decorativos para vender no evento. Maria Auxiliadora montou um espaço onde oferece pintura em telas e outros adereços feitos manualmente. A artesã explica que os quadros foram confeccionados por uma artista convidada e não por um indígena.

“Já que estamos no meio urbano, acredito que é importante essa interação com outras pessoas que abraçam nossa cultura, por isso também não bem-vindas, como é o caso dessa pintora.”

Maria, integrante do Memorial da Cultura Indígena, faz questão de levar a arte de outros colegas para as feiras no Estado. “Todo o lugar que eu vou eu levo os trabalhos de artesãos de etnias como Kadiwéu, Terena, Guarani e Kinikinau. Vender é o resultado, mas a nossa forma de afirmação fora da aldeia é mais importante.

O evento, marcado para começar às 8h30, precisou ser adiado por causa do mau tempo. Por volta das 9h, os 695 atletas inscritos para as competições ainda estavam chegando no local. Alguns voluntários precisaram tirar a água da chuva que ficou acumulada nos campos.

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