MPF deve denunciar nesta sexta-feira cúpula das maiores empreiteiras do país

O presidente da Odebrecht já em Curitiba, após ser preso pela Polícia Federal – Foto: O Globo

Os presidentes das duas maiores empreiteiras do país devem ser denunciados nesta sexta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba. No início da semana, a Polícia Federal (PF) indiciou Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, pelos crimes de fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro.

A força-tarefa da Operação Lava-Jato juntou indícios de que a Odebrecht teria obtido vantagens em seis obras da Petrobras, orçadas em R$ 11,4 bilhões, por meio do pagamento de propinas. Já a Andrade Gutierrez teria cometido irregularidades em quatro contratos com a estatal, que somam R$ 4,9 bilhões. As empresas negam envolvimento.

OUTROS EXECUTIVOS NA MIRA
A tendência é que os procuradores acompanhem os pedidos feitos no indiciamento. Caso o juiz Sérgio Moro concorde com a denúncia, os executivos passarão a ser tratados como réus no processo.
Contra Marcelo, pesa a acusação de que ele conhecia e participava de todo o esquema de corrupção que beneficiava a Odebrecht. Ao longo do processo, o MPF tem sustentado que e-mails trocados entre a cúpula da empreiteira mostram que Marcelo sabia das negociações irregulares.

Ainda devem ser denunciados três executivos da Odebrecht: Rogério Araújo, Márcio Faria e César Rocha. Rogério é apontado como responsável por fazer depósitos em contas mantidas no exterior pelos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró. Para comprovar a relação, os investigadores cruzaram telefonemas de Rogério ao operador Bernardo Freiburghaus com depósitos recebidos por Costa em contas que seriam administradas por esse operador.

O ex-funcionário Alexandrino Alencar é apontado como responsável por representar a Odebrecht no cartel de empreiteiras e por negociar pagamento de propina para beneficiar a Braskem na compra de nafta da Petrobras.

O presidente da Andrade Gutierrez também é acusado de ter conhecimento do esquema, que teria começado na gestão do seu antecessor, Rogério Nora de Sá.

Também devem entrar na lista do MPF o executivo da Andrade Elton Negrão e os ex-diretores Antônio Pedro Campello de Souza e Paulo Dalmazzo, apontados como responsáveis pelas reuniões no cartel para combinar vencedores de licitação e por negociar pagamento de propina

PRAZO DE EXPLICAÇÃO AMPLIADO

A denúncia de hoje deve chegar aos operadores dos pagamentos de propinas, como Mario Góes, que liga as duas empresas. Análise feita pela PF nas contas de uma das empresas do operador, a Rio Marine, mostra que ele recebeu R$ 220 milhões de várias construtoras entre 2003 e 2014.

A Odebrecht pagou R$ 1,5 milhão para a empresa em 2004, quando ganhou a licitação para construir uma plataforma. A Andrade Gutierrez fez dois repasses, que somam R$ 5 milhões, em 2007 e 2008, que
casariam com dois contratos assinados com a estatal. Segundo a PF, as construtoras não conseguiram comprovar que os pagamentos foram feitos para receber serviços de consultoria. Isso indicaria o pagamento de propina.

Nesta quinta-feira, Moro concordou com o pedido feito pela defesa de Marcelo e estendeu para o dia 27 o prazo para receber explicações sobre anotações encontradas no celular dele.

Fonte: O Globo

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