MPE pede prisão preventiva de policial que matou empresário a tiros

Lúcio Borges

O MPE-MS (Ministério Público Estadual) resolveu agir quanto a soltura do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, e pediu novamente sua prisão preventiva. Ele que matou o empresário Adriano Correia do Nascimento, no último sábado (31), no centro de Campo Grande, foi preso algumas horas depois, mais em flagrante, porem teve a liberdade concedida por um juiz plantonista do Fórum da Capital, já no domingo (1º), com apenas 24 horas da detenção. O MPE-MS pediu à Justiça que seja decretada a prisão preventiva de maneira imediata, para o manter a ordem jurídica de crime desta proporção, bem como a ordem pública.

Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, matou o empresário de 33 anos, dono das casas Sushi Express, após desavença sobre questão de trânsito, na Avenida Ernesto Geisel com a Rua 26 de Agosto, e foi preso após repercussão do caso com reconhecimento de imagens e testemunhos de terceiros e do próprio PRF. Ele ratificou o acontecimento, alegando legitima defesa, mais que acabou por o deixar detido em flagrante. Contudo, o juiz José de Andrade Neto, plantonista no recesso forense da Justiça, concedeu a liberdade ao agente, que foi contestada pela sociedade, bem como a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil em MS), anunciou ontem (3), que irá contestar no CNJ, a liberdade do policial.

Hoje, o novo pedido, do MPE-MS, vem assinado por três promotores, que também estão de plantão na instituição. Os promotores João Meneghini Girelli, Bolivar Luis da Costa Vieira e Allan Thiago Barbosa Arakaki, alegam no pedido de prisão preventiva, que decisão de libertar Ricardo não foi “acertada”. De acordo com o MPE, a prisão preventiva se justifica porque foi comprovada a materialidade e autoria. “O crime é doloso e possui pena máxima superior a quatros anos e que a prisão é necessária à ordem pública”, descreve os promotores.

O trio do MPE-MS são contundentes ao afirmar que o caso teve circunstâncias especialmente graves e que os fatos, já caracterizados, não poderiam ou não podem ser desconsiderado pela Justiça, mesmo diante aos Códigos penais. “São diversos fatores que não podem ser ‘desprezados’. Ricardo é um policial, portanto com dever legal de proteger os cidadãos e que, por ser da PRF, tem um dos treinamentos mais rígidos dentre as forças policiais. Ainda, não é desprezível, o fato de ter sobrado, conforme relato dos policiais militares, apenas quatro munições intactas na pistola. A capacidade da arma é de 16+1, ou seja 16 munições do carregador e uma na própria arma, pronta para o disparo. Assim, para o Ministério Público, a prisão preventiva é necessária para evitar ameaça a testemunhas ou influência na produção de provas”, aponta parecer do pedido.

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Os promotores ainda lembram que o agente da PRF, se vez valer como autoridade máxima e de poder irrestrito. “Há forte indícios de que o requerido, por si só e também com o auxílio de outrem inovou artificiosamente o estado de coisa e pessoa, a fim de induzir os órgãos de segurança a erro, bem como obteve tratamento privilegiado pelo Poder Público”, idisse.

Segundo o MPE, apesar do registro informar que Ricardo foi conduzido pela PM (Polícia Militar), ele compareceu à delegacia de forma espontânea, onde recebeu a voz de prisão em flagrante. Também é destacado que o crime foi às 5h40 e o depoimento do policial foi encerrado às 12h55. Para a promotoria, “indício de que houve atuação irregular” em favor de Ricardo.

Outro fato é de que nos vídeos e fotos, o policial aparece de camiseta listrada e a calça da farda. Mas na delegacia, trajava a farda completa. Ainda segundo o MPE, o preso deu versões fantasiosas.

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