MPE oferece denúncia contra cinco investigados na operação Pecúnia

O MPE-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) ofereceu denúncia contra cinco investigados na operação Pecúnia, que apura lavagem de dinheiro obtido supostamente por meio de corrupção, na época em que Gilmar Olarte (PROS) era prefeito de Campo Grande.

MPE-MS denuncia Gilmar Olarte (Foto: Divulgação )
MPE-MS denuncia Gilmar Olarte (Foto: Divulgação )

Além do prefeito afastado, a ex-primeira-dama Andréia Olarte, o corretor Ivamil Rodrigues de Almeida, o empresário Evandro Farinelli e a mulher dele, Christiane Farinelli, foram denunciados.

Na operação, foram presos temporariamente o casal Olarte, Ivamil e Evandro. As prisões venceram no dia 20, mas foram convertidos em preventiva.

Os advogados de Gilmar e Andréia Olarte entraram com pedido de habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e disseram que aguardam a decisão do desembargador Luiz Claudio Bonassini, se aceita ou não a denúncia do MP-MS.

Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) apontam que, com o dinheiro obtido por Gilmar Olarte por meio de corrupção na época em que ele era prefeito de Campo Grande, foram adquiridos diversos imóveis.

Documentos recolhidos ao longo das investigações e durante a operação Pecúnia, realizada no dia 15 de agosto, comprovam que foram gastos R$ 2.863.000 na compra de imóveis. Conforme consta na denúncia, assinada pelo procurador-geral de Justiça Paulo Passos, os bens adquiridos totalizam R$ 4.190.500, mas as parcelas deixaram de ser pagas quando Gilmar Olarte deixou a prefeitura, com a recondução ao cargo do prefeito Alcides Bernal (PP) em agosto de 2015.

Para o MPE, essa situação é mais uma comprovação de que o dinheiro da corrupção na administração municipal estava sendo usado na compra de terrenos e casas. De acordo com a denúncia, que foi disponibilizada no site do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) nesta quarta-feira (24), os investigados montaram um esquema para a lavagem do dinheiro conseguido ilicitamente.

Ainda conforme a denúncia, o corretor de imóvel Ivamil de Almeida tinha a tarefa de comprar os imóveis, que eram registrados em nome de Evandro Farinelli e a mulher Christiane, que seriam “testas de ferro” do casal Olarte. Para o MP-MS, embora os bens estejam nos nomes dos dois, ficou comprovado que Andréia Olarte é a verdadeira dona.

Com base no cruzamento de dados da movimentação bancária e das declarações do Imposto de Renda, os promotores que atuam no caso acreditam que conseguiram demonstrar ao Judiciário que a renda do casal Olarte é incompatível com o patrimônio “engordado” durante o período em que Gilmar Olarte era prefeito.

Na denúncia, os promotores citam que, em 2014, o casal Olarte declarou renda de R$ 320.545,19, mas o patrimônio apurado nesse mesmo ano chegou a R$ 710 mil.

O Gaeco também afirma que pertence ao casal Olarte o imóvel no condomínio Damha II, registrado em nome de Evandro Farinelli. Segundo as investigações, primeiro foi comprado terreno do lote 13, quadra 17, com 557,59 metros quadrados.

Posteriormente, em janeiro de 2015, teve início, nesse lote, a construção de um prédio ao custo de R$ 1,3 milhão, que seriam pagos em 10 parcelas de R$ 130 mil. Mas só foram pagos cinco parcelas, totalizando R$ 650 mil.

“Destaca-se que a última parcela de R$ 130.000 (cento e trinta mil reais) foi paga no mês de julho de 2015, e a partir do seguinte mês de agosto, em que Gilmar Antunes Olarte foi afastado do cargo de Prefeito Municipal de Campo Grande por decisão judicial, nenhum outro pagamento foi mais efetuado, fator que também ratifica a origem criminosa do dinheiro utilizado”, diz o MP-MS na denúncia.

Segundo a investigação, além do imóvel no Condomínio Damha II, o casal Olarte seria o verdadeiro dono de imóveis no Condomínio Villas Dahma, na Chácara dos Poderes e no loteamento Estrela Parque. O MP-MS também solicitou ao Judiciário, que o processo deixe de tramitar em segredo de justiça. (Com informações do G1)

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