Mostra de Cinema no MIS prioriza os clássicos do cinema japonês

Foto Divulgação
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O Museu da Imagem e do Som, unidade museológica da Gerência de Patrimônio Histórico e Cultural (GPHC) da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), realiza de 26 a 30 de setembro de 2016 a Mostra de Cinema Japonês. A Mostra é realizada todos os anos, e neste, a curadoria é do engenheiro e cinéfilo Celso Higa.

Em sua sexta edição, a Mostra apresentará cinco filmes premiados, sempre às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som de MS, com entrada franca. As produções dão um panorama dos filmes japoneses, priorizando os clássicos, mas também com um filme da era moderna e uma produção brasileira com temática japonesa.

Os filmes a serem exibidos são a aventura “O Samurai do Entardecer” (2002), de Yoji Yamada; o drama “Oharu: Vida de uma cortesã” (1952), de Kenji Mizoguchi; o drama “Era uma vez em Tóquio” (1953), de Yasujiro Ozu; “Os sete samurais” (1954), drama/ação de Akira Kurosawa, e o drama brasileiro com temática japonesa “Corações Sujos” (2011), de Vicente Amorim.

O curador da Mostra, Celso Higa, explica que o cinema japonês é bem diferente do ocidental, embora alguns diretores tenham influência de hollywood. Ele cita Kenji Mizoguchi, Yasujiro Ozu e Akira Kurosawa como os três diretores mais conhecidos. “O Mizoguchi gostava do Murnau e do John Ford. Ele utilizava planos longos e tomadas de cena acompanhando os atores. Todas essas cenas misturadas também com o lado oriental. Esta forma de fazer cinema começou a influenciar outros diretores e cineastas japoneses. O Ozu, por exemplo, ensaiava os atores para ver como eles se enquadravam na câmera, que era fixa. Os filmes de samurai eram os faroestes japoneses”.

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Curador da Mostra, Celso Higa (Foto: Karina Lima)

Celso diz que o cinema japonês começou a fazer sucesso na década de 1950 graças ao filme Rashomon, de 1951, do Kurosawa. Depois, outros cineastas japoneses começaram a ganhar espaço no ocidente. Para a Mostra de Cinema Japonês, ele selecionou alguns clássicos e outro filme de uma geração mais nova, além de um filme brasileiro, que fala sobre um fato que aconteceu na colônia japonesa aqui no Brasil no pós-guerra. “De 1946 a 1947 houve uma divisão na colônia japonesa no Brasil entre os que achavam que o Japão não tinha perdido a guerra e os que achavam que ele tinha perdido. Os ‘Shindo Remmei’eram do lado dos que não acreditavam que o Japão tinha perdido, houve muitas mortes, principalmente em São Paulo, e foram espalhadas muitas notícias falsas para a colônia. Esse filme é baseado no livro homônimo do Fernando Moraes”.

Sobre sua paixão pelo cinema japonês e pelo cinema em geral, ele diz que surgiu ainda na infância. “Eu tinha um tio que tinha um bazar perto do Colégio Dom Bosco. Ele vendia revistas japonesas. Eu ia muito nessa loja para folhear as revistas, ver os mangás, fotos de filmes. Eu não sabia ler os cândis, mas via as figuras. Tinha gibis, revistas sobre cinema. Fui juntando essa sexperiências que fazem você gostar de filmes. E com o advento da internet, ficou mais fácil buscar informações. Os meus preferidos são os filmes antigos de faroeste porque trazem a nostalgia, que traz o passado que perdemos”.

Confira a programação e sinopses dos filmes:

Segunda-feira (26 de setembro)
O Samurai do Entarceder (Dir. Yoji Yamada).
Título orig. Tasogare seibei, 2002 – aventura
Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004

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Seibei Iguchi (Hiroyuki Sanada) é um samurai de 2º escalão que presta serviços ao clã Unasaka. Sua esposa morreu de tuberculose e suas duas filhas, Kayana (Miki Itô) e Ito (Erina Hashiguchi), dependem dele para sobreviver. O divórcio de Tomoe (Rie Miyazawa), seu amor de infância, faz com que entre em confronto com seu ex-marido, um samurai de grande reputação. Após vencer o duelo empunhando apenas uma espada de madeira, Seibei ganha respeito e é convocado a eliminar um poderoso inimigo.

Terça-feira (27 de setembro
Oharu: Vida de uma cortesã (Dir. Kenji Mizoguchi,).
Título orig. Saikaku Ichidai Onna, 1952, drama
Leão de Prata no Festival de Veneza

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No Japão do século XVII, uma velha prostituta refugia-se da polícia num antigo templo. A estátua de um samurai a faz lembrar seu passado e seu primeiro amor, quando ela era dama de companhia no palácio do Imperador, cortejada pelo nobre samurai Katsunosuke. Por causa de um encontro clandestino, ele foi morto e Oharu banida com a família, tornando-se dançarina e mais tarde concubina do poderoso senhor Matsudaira.

Quarta-feira (28 de setembro)
Era uma vez em Tóquio (Dir. Yasujiro Ozu).
Título orig. Tokyo Monogatari, 1953, drama

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Um casal de idosos deixa sua filha no campo para visitar os outros filhos em Tóquio, cidade que eles nunca tinham ido. Porém os filhos os recebem com indiferença, e estão sempre muito atarefados para terem tempo para os pais. Apenas a nora deles, que perdeu o marido na guerra, parece dar atenção aos dois. Quando a mãe fica doente, os filhos vão visitá-la junto com a nora, e complexos sentimentos são revelados.

Quinta-feira (29 de setembro)
Os sete samurais (Dir. Akira Kurosawa).
Título orig. Shichinin no Samurai, 1954, drama
Leão de Prata no Festival de Veneza

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No século XVI, durante a era Sengoku, quando os poderosos samurais de outrora estavam com os dias contados pois eram agora desprezados pelos seus aristocráticos senhores (samurais sem mestre eram chamados de “ronin”). Kambei (Takashi Shimura), um guerreiro veterano sem dinheiro, chega em uma aldeia indefesa que foi saqueada repetidamente por ladrões assassinos. Os moradores do vilarejo pedem sua ajuda, fazendo com que Kambei recrute seis outros ronins, que concordam em ensinar os habitantes como devem se defender em troca de comida. Os aldeões dão boas-vindas aos guerreiros e algumas relações começam. Katsushiro (Ko Kimura) se apaixona por uma das mulheres locais, embora os outros ronins mantenham distância dos camponeses. O último dos guerreiros que chega é Kikuchio (Toshiro Mifune), que finge estar qualificado mas na realidade é o filho de um camponês que almeja aceitação.

Sexta-feira (30 de setembro)
Corações Sujos (Dir. Vicente Amorim), 2011, drama

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O tratado de rendição assinado pelo imperador japonês Hirohito ao general americano Douglas MacArthur marcou o fim da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, no Brasil o anúncio não marcou o fim do período de violência. Os imigrantes japoneses que viviam no interior do estado de São Paulo, formando a maior colônia do país fora do Japão, se dividiram em dois grupos. Os que acreditavam na notícia eram chamados de traidores da pátria, apelidados de “corações sujos”, e perseguidos por aqueles que endeusavam o imperador e ainda acreditavam na vitória do Japão. É neste contexto que vive Takahashi (Tsuyoshi Ihara), dono de uma pequena loja de fotografia e casado com Miyuki (Takako Tokiwa), uma professora primária. Incitado pelo coronel Watanabe (Eiji Okuda), ele se torna o vingador daqueles que pregam a supremacia japonesa e passa a atacar todos aqueles que não acreditam que o país foi derrotado na guerra.

Serviço:

As exibições acontecem de 26 a 30 de setembro de 2016 (segunda a sexta-feira), sempre às 19 horas e com entrada franca. O Museu da Imagem e do Som fica no Memorial da Cultura, na avenida Fernando Correa da Costa, 559, 3º andar. Para mais informações sobre a programação do museu acesse www.misms.com.br. O e-mail do MIS é [email protected] Telefone: (67) 3316-9178.

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