“Mosquito Zero”: meta é combater Aedes aegypti com apoio da população

Nádia Nicolau, com assessoria

Na tentativa de minimizar a incidência de proliferação de Dengue em Campo Grande, a Prefeitura vai lançar, nesta quarta-feira (22), a operação “Mosquito Zero – É matar ou morrer”, que consiste em uma megaoperação integrada envolvendo diversos órgãos da administração municipal, instituições públicas e privadas e sociedade civil organizada, que estabelece uma série de ações de enfrentamento, conscientização e sensibilização sobre os riscos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, Zika e Chikungunya.

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, hoje (21), o secretário municipal de saúde, José Mauro Filho, disse que os cuidados são importantes porque o perfil do mosquito tem mostrado mudanças, como por exemplo, se adaptando ao período mais frio e, consequentemente, maior facilidade de reprodução. “Com isso muda a forma de tratamento, e de prevenção ao mosquito”.

Mesmo com ações práticas do poder público, o secretário destacou que “80% dos criadouros estão em casas”, e que a população precisa ajudar no combate às doenças provocadas pelo Aedes.

Por isso, agora as atenções estão voltadas para a iniciativa da campanha “Mosquito Zero”. Os trabalhos devem durar em torno de 10 dias e contemplarão a limpeza de terrenos públicos, transporte de materiais inservíveis descartados, alocação pontual e temporária dos descartes em locais previamente definidos, fiscalização e autuação de descartes irregulares, visita às casas pelos agentes de combate às endemias para detecção de focos, limpeza, orientação e conscientização da população sobre os riscos e consequências das doenças transmitidas pelo mosquito.

Paralelamente, a Prefeitura se encarregará de fazer o trabalho de limpeza dos espaços públicos, incluindo praças e parques sob a sua administração. Durante o período de ação, será realizada uma grande gincana que, conforme as regras a serem estabelecidas, premiará os moradores que mais contribuírem com a limpeza do bairro e região, envolvendo toda a comunidade e contribuindo assim de maneira efetiva na eliminação de potenciais criadouros do mosquito.

Pontos de descarte – Foram disponibilizados quatro pontos de transbordo para que os moradores da região possam fazer o descarte de materiais inservíveis de grande e pequeno volume, como geladeiras, televisores, sofás, camas, entre outros.

Área 01: Av. Amaro Castro Lima com Av. 2 – Nova Campo Grande (lateral E.M. Fauze Scaff Gattass Filho)

Área 02: Acesso Nice com R. Principal nr. 5 – Núcleo Industrial

Área 03: R. Itamirim e R. Antônio Pereira Veríssimo – Altos do Panamá

Área 04: Ecoponto Panamá – R Sagarana com Av. José Barbosa Rodrigues, Bairro Panamá

A expectativa é de que até abril as sete regiões de Campo Grande tenham recebido uma ação semelhante, conforme cronograma pré-definido.

1ª Semana – Imbirussu.

2ª Semana –  Anhanduizinho.

3ª Semana –  Bandeira.

4ª Semana –  Prosa.

5ª Semana – Lagoa.

6ª Semana – Segredo.

7ª Semana –  Centro.

Parcerias – As ações de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti deve contar com apoio de empresas, entidades e instituições públicas e privadas do Estado, que irão contribuir de forma estratégica nas ações de enfrentamento, conscientização e sensibilização da população, conforme plano de atuação a ser estabelecido por cada ente.  Ontem (21), representantes destas instituições ser reuniram com o prefeito Marquinhos Trad para discutir as propostas de engajamento.

As instituições devem auxiliar,  sobretudo, na divulgação e propagação de informações sobre prevenção e os cuidados em geral para evitar a proliferação do Aedes aegypti, além da mobilização de seus colaboradores/servidores em ações de bloqueio pré-programadas, com supervisão e auxílio técnico da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV) da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau).

Ações – Desde agosto do ano passado, a Prefeitura tem intensificado as ações de enfrentamento ao mosquito, antecipando a chegada dos períodos críticos, de chuva e calor. As equipes da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV) da Sesau tem realizado diariamente o trabalho de orientação e eliminação de criadouros do mosquito.

Além de inspeções em residências, é feita a vistoria em pontos estratégicos, áreas consideradas de maior risco de proliferação de mosquito e que exigem um trabalho específico, a exemplo de borracharias, oficinas mecânicas, pontos de recicláveis, construções, casas e construções abandonadas.

Recomendações – Durante as visitas, os profissionais de saúde orientam os munícipes a seguirem os cuidados necessários: nunca deixar ao ar livre qualquer recipiente propenso a acumular água, manter a limpeza de terrenos e quintais em dia, instalar telas nas janelas, colocar areia até a borda dos vasos de planta, manter garrafas de vidro e latinhas de boca para baixo, acondicionar pneus em locais cobertos, limpar e trocar a água de bebedouros de animais, proteger ralos pouco usados com tela ou jogar água sanitária.

Infestação pelo Aedes – Conforme o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo o Aedes aegypti (LIRAa), sete áreas de Campo Grande foram classificadas com o risco de surto de doenças transmitidas pelo mosquito.

O número de áreas em alerta praticamente dobrou, em comparação com o último LiRaa divulgado em novembro do ano passado, passando de 22 para 42 áreas. Dezoito áreas permanecem com índices satisfatórios.

O índice mais alto foi detectado na área de abrangência da USF Iracy Coelho, com 8,6% de infestação. Isso significa que de 233 imóveis vistoriados, em 20 foram encontrados depósitos. A área da USF Azaleia aparece em segundo com 7,4% de infestação, seguido da USF Jardim Antártica, 5,2%, USF Alves Pereira, 4,8, USF Sírio Libanês, 4,4%, Jardim Noroeste, 4,2% e USF Maria Aparecida Pedrossian (MAPE), 4,0%.

Dados epidemiológicos – Os dados epidemiológicos relativos aos 15 primeiros dias do ano mostram um número significativo de notificações de suspeitas de dengue feitas ao serviço de vigilância epidemiológica. Desde o início do ano, foram 284 notificações, sendo que um óbito, de um homem de 30 anos, já foi confirmado.

Além dessas, ainda foram registradas três notificações de Zika Vírus e uma de Chikungunya, que ainda estão passando por processo de avaliação laboratorial para confirmar ou não as suspeitas.

Durante todo o ano de 2019, foram registrados 39.417 casos notificados de dengue em Campo Grande, sendo 19.647 confirmados e oito óbitos.

Apesar dos números expressivos, impulsionados pela epidemia do último ano, o mês de dezembro fechou com aproximadamente 45% a menos de casos registrados no ano anterior.

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