Morte de ex-vereador estava sendo planejada há uma semana por ‘raiva’ de caseiro

Lúcio Borges

Caseiro falando a imprensa, quando gravamos nosso vídeo postado fim matéria (Foto: Elivelton Almeida)

O brutal assassinato do ex-vereador Cristóvão Silveira e da esposa, Fátima Silveira, foi pensado e planejado há uma semana por causa de uma suposta raiva pelo patrão do caseiro Rivelino Mangelo, 45 anos, que cometeu o duplo homicídio. Segundo o assassino já confesso e preso, Silveira o estaria maltratando durante os quatro meses que ele estava contratado na chácara, localizada na MS-080, em Campo Grande, onde ocorreu o crime na tarde desta terça-feira (18). A ‘justificativa’ do caseiro foi confessada a polícia e dita a imprensa pelo próprio, no fim da tarde desta quarta-feira (veja em nosso vídeo). Mangelo e outros dois, já presos na Capital, foram apresentados pela Policia Civil, que antes, em entrevista coletiva, detalhou as circunstancias do crime e a ação policial durante o processo de busca e investigação.

As forças de segurança do Estado, pegaram ontem mesmo Mangelo, e, hoje pela manhã, outras duas pessoas, os filhos, então suspeitas pelo crime, que acabaram também confessando a participação no duplo homicídio. O caseiro e os dois filhos Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, e Alberto Nunes Mangelo, 20 anos, já eram os presos. E no fim desta tarde, no momento final da coletiva, como o Página Brazil já noticiou, o delegado da PC, anunciou a prisão de outros dois, no município de Corumbá, Diogo André dos Santos Almeida, 21 anos, sobrinho de Mangelo, e outro que ainda não foi identificado.

“Ele –Silveira – estava me maltratando muito, sempre, fazia absurdos e me humilhava na frente de minha família. Não aguentava mais, me xingava muito e já estava com muita raiva. E acabei só pensando e fazer o que fizemos”, disse o caseiro, que teve conversas em áudio de celular aprendido pela polícia, confirmado sua vontade e planejamento do crime a pelo menos sete dias.

Delegado Peró, ao centro, fala sobre o duplo homicídio (foto: Elivelton Almeida)

O delegado Fabio Peró, titular do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), foi quem mais falou e anunciou a “justificativa” do caseiro para o brutal crime, na coletiva deste fim de tarde. Antes do próprio caseiro ser apresentado e falar, o delegado explicou o que a policia conseguiu descobrir e tirar do então acusado, agora preso confesso. “Rivelino em nossa investigação e interrogatório disse sem pestanejar que a motivação do crime foi o tratamento do patrão, que não justifica qualquer crime, mas que ele seria agressivo e não lhe rendia rendimentos. O que também seria um dos resultados do crime, obter vantagens financeiras”, falou o delegado.

Caseiro estava com muito rancor e tinha pressa para matar, diz delegado

Peró explicando as motivações do crime, disse que o caseiro decidiu pelos crimes, com forte sentimento, onde até planejou e levou uma semana, sendo que o tempo já estaria ultrapassado para fazer a execução final. O delegado ratificou que o assassinato não passaria deste dia, como foi ouvido e analisado em fala dele nos áudios. “Ele – Mangelo- estava com grande rancor, desavenças com a vitima e queria executar o crime, sendo dito nas ligações do celular. Em um dos contatos, ele já falava aos filhos, que acabaram o ajudando, mas que se eles não viessem naquele dia –ontem- ele iria fazer sozinho, ontem mesmo”, disse o titular do Garras, ressaltando que Magelo estaria com voz alterada e ansioso.

O ex-vereador foi morto com golpes de facão o que deixou o rosto dele desfigurado, e a esposa teve parte do corpo queimado para cobrir possíveis rastros do crime de estupro. Ainda não se sabe se o crime teria outra motivação a não ser o roubo. “Mangelo chamou o casal para um galpão, assim que eles chegaram na chácara, ainda no começo da tarde, e lá ele atacou a mulher e o Diogo atacou Silveira. Eles usaram porrete, faca e facão, encontrados depois que confessaram”, mostrou o delegado.

Áudios encontrados

O caseiro, que foi preso ontem, quando recebia alta do hospital Santa Casa, após ser atendido por causa de um corte profundo no pé, acabou por assumir a autoria do crime, diante de ser confrontado que a policia havia as provas pelos áudios. Contudo, inicialmente ele foi socorrido depois que a dona de um bar, que fica a 800 metros da chácara acionou o socorro, após que ele teria contado que sete homens invadiram o local para roubar. Mas, após ser levado para depoimento acabou confessando a autoria dos assassinatos.

Áudios encontrados no celular do caseiro pela polícia revelaram o planejamento do crime para roubar a camionete L-200 Triton, além de outros pertences da chácara. Uma televisão do local foi encontrada com um dos filhos do caseiro. A camionete que foi levada por dois homens, que ainda não se tem a identificação, foi abandonada próximo a Corumbá distante 444 quilômetros de Campo Grande, e os suspeitos fugiram em meio a um matagal. A polícia pediu apoio a um helicóptero da Marinha para auxiliar nas buscas e encontrar os dois autores. Um dos foragidos teria participação direta no crime.

Da esquerda para direita.: caseiro Mangelo e filhos Alberto e Rogério (Foto: Elivelton Almeida)

Comentários

comentários