Morre, aos 70 anos, Lemmy, vocalista do grupo Motörhead

Lemmy Kilmister – Leo Aversa

Morreu, nesta segunda-feira, o vocalista e baixista inglês Ian “Lemmy” Kilmister, que há 40 anos liderava o grupo de rock Motörhead. Em seu aniversário de 70 anos, há duas semanas, Lemmy, que foi homenageado por músicos da cena roqueira de Los Angeles no Rainbow Bar & Grill, tradicional casa de shows da cidade, mostrava em sua aparência o resultado de décadas de vida desregrada, somado à luta de décadas contra o diabetes.

Em sua última vinda ao Brasil, em abril deste ano, para o festival Monsters of Rock, Lemmy passou mal, e o show do Motörhead em São Paulo teve que ser cancelado. As faltas e remarcações na agenda, raras na maior parte da carreira, tornaram-se corriqueiras nos últimos anos.

Ian Fraser Willis nasceu em Burlem, Stoke-on-Trent, na Inglaterra, em 1945, filho de um pastor, capelão da força aérea britânica, que se separou de sua mãe quando ele tinha apenas três meses. Ela se casou novamente, com o ex-jogador de futebol George Willis, e a família se mudou para Benllech, ao norte do País de Gales, onde Lemmy passou a maior parte da infância.

Na adolescência ele saiu de casa e começou a tocar rock, beber álcool e usar drogas (notadamente anfetaminas) integrando diversas bandas até entrar para o grupo psicodélico Hawkwind em 1972.

A passagem de Lemmy pela banda duraria três anos, na primeira época em que ele conseguiu se sustentar com a música. Lemmy era o responsável pelos vocais de “Silver machine”, maior sucesso do Hawkwind, que chegou ao terceiro lugar da parada inglesa em 1972. Depois de muitas turnês e muito LSD, ele foi expulso da banda em 1975, após ser preso com drogas na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá.

Em 1975 ele fundou a banda Bastard, que se metamorfosearia no Motörhead. Ao longo de 40 anos, a banda teve muitas formações, duas delas consideradas clássicas: nos anos 1970, com o guitarrista “Fast” Eddie Clarke e o baterista Phil “Philthy Animal” Taylor (que conheceu Lemmy vendendo drogas para ele) e, nos últimos 23 anos, com o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee.

Nesse tempo, o trio (que chegou a ser um quarteto em alguns períodos) se tornou uma lenda do rock pesado (Lemmy sempre recusou o rótulo “heavy metal”), referência para bandas como Metallica, Slayer e muitas outras.

Integrantes do Metallica, fantasiados de “Lemmys” homenagearam ao baixista em seu aniversário de 50 anos, em 1995.

No aniversário de 50 anos de Lemmy, em 1995, o Metallica se apresentou com os quatro músicos vestidos como Lemmy, tocando apenas canções do Motörhead.

Em 2010, o documentário “Lemmy”, de Greg Olliver e Wes Orshoski, mostrou o estilo de vida do músico, em Los Angeles e nas turnês com o Motörhead. Embora bebesse litros de Jack Daniels e usasse anfetaminas, ele dizia que não queria propagandear um estilo de vida “que já me levou muitos amigos” (notadamente uma namorada que morreu de overdose de heroína, nos anos 1970).

Lemmy era um fanático pela Segunda Guerra Mundial, o que levou a boatos de que seria nazista, sempre rebatidos por ele.

Fonte: O Globo

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