Ministro francês diz que país fará avaliação ‘completa’ e ‘independente’ de acordo entre Mercosul e UE

G1/JP

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, afirmou nesta segunda-feira (29), após encontro com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que o país fará avaliação nacional “completa” e “independente” sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

O acordo foi anunciado no mês passado, após duas décadas de tratativas entre os blocos. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – a Venezuela está suspensa por descumprir acordos e tratados do protocolo de adesão em meio ao governo de Nicolás Maduro.

Le Drian se reuniu na manhã desta segunda-feira com Araújo no Palácio Itamaraty, em Brasília. Também consta na agenda do ministro uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.

Após a reunião com Araújo, o ministro francês comentou o acordo entre Mercosul e União Europeia, que, para entrar em vigor, terá de ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos.

“Nós devemos tomar o tempo para efetuar de nossa parte uma avaliação nacional completa, independente e transparente deste acordo que permitirá, então, determinar a posição das autoridades francesas”, disse Le Drian.

Na França, agricultores, ambientalistas e políticos, inclusive do partido do governo do presidente Emmanuel Macron, se opõem aos termos do acordo.

O ministro disse que a França, ao longo de 20 anos de conversas, teve postura “construtiva” e “exigente” em relação aos termos do acordo. Ele afirmou que o país manterá a postura, em especial no que trata da implementação do Acordo de Paris (que prevê medidas a serem adotadas pelos signatários para amenizar o aquecimento global).

Ele ainda lembrou que o governo levará em conta na sua análise, além do Acordo de Paris, o respeito a normas ambientais e sanitárias e, por fim, proteção de segmentos agrícolas sensíveis.

Le Drian elogiou a posição de Bolsonaro que, em encontro com Macron, sinalizou a permanência do Brasil no Acordo de Paris.

Assinado em dezembro de 2015, o acordo tem metas para que os países consigam manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC. O tratado mundial prevê a redução da emissão de gases que aumentam a temperatura do planeta.

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