Ministro anuncia mais R$ 10 milhões na saúde de Dourados e descarta novas UPA’s

A saúde pública de Dourados, que vem ‘respirando com ajuda de aparelhos’, pode finalmente ter ‘fôlego extra’. O Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) assinou portaria que amplia o aporte financeiro para o município em R$ 10.340.400,00. Além disso, foram também autorizados mais R$ 113.500,00 como recurso de programação e a aquisição de três compressores odontológicos que serão disponibilizados em postos de saúde da cidade.

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, durante pronunciamento. – Crédito: Vinicios Araújo/Dourados News

A cerimônia que celebrou a assinatura da documentação ocorreu na tarde desta sexta-feira (18/10), dia do médico no calendário sazonal, no auditório do Centro Administrativo Municipal. A solenidade reuniu autoridades de vários municípios da região, também contemplados pelo recurso extra.

Segundo o Dourados News, deputados estaduais estiveram presentes e logo na chegada do ministro a euforia da classe política chamou atenção. Durante cerca de 15 minutos vereadores, prefeitos, deputados disputavam a oportunidade de cumprimentar o gestor federal da saúde.

Durante a fala ao público, Mandetta fez questão de ressaltar a postura municipalista do Governo Bolsonaro, que desburocratizou a gestão dos prefeitos sobre o recurso adquirido em esfera federal. Valorizou também a importância do atendimento qualificado na atenção primária, destacando que boa parte da problemática na saúde pública do Brasil se concentra nesse setor.

“Quando as pessoas precisam elas batem na porta do vereador, do prefeito. As pessoas reconhecer a sua rua, a sua cidade, o seu prefeito a sua Câmara de Vereadores. Se 80% das queixas e das soluções das queixas estão na atenção primária, elas estão nas cidades. Por isso criamos a Secretaria de Atenção Primária para ter contato direto com cada secretário de saúde dos municípios e atender as demandas de forma personalizada, entendendo que cada realidade é uma realidade”, disse.

Seguindo nessa linha de pensamento, Mandetta então afirmou em entrevista coletiva, logo ao final da cerimônia, que não avalia a possibilidade de construir novas UPA’s (Unidade de Pronto Atendimento) em Dourados.

“Não acredito que UPA seja a solução não. Eu acho que podemos, deveremos e teremos mais unidades básicas de saúde resolutivas. UPA é para atender emergência, não é lugar para fazer promoção de saúde, prevenção de saúde. Como os postos de saúde da atenção primária são muito frágeis, a população acha no seu imaginário que a UPA resolve. A UPA dá dipirona, vacina, faz uma sutura no queixo, faz um eletro, atende um infartado, manda pro hospital, agora quem faz saúde é atenção primária. Aqui já está na hora de ter unidade aberta até 22h, aqui já está na hora de ter melhor estruturação da capacitação dos profissionais em saúde e fazer atenção primária de melhor qualidade”, enfatizou.

Dourados já conta com cinco unidades básicas de saúde com horário de atendimento estendido até às 22h. Eles estão localizados na Vila Cachoeirinha, na Seleta do Jardim Flórida, Jardim Maracanã, Parque das Nações II e no distrito de Vila Vargas.

Nesta semana, inclusive, a secretária municipal de saúde Berenice Machado orientou ao diretor clínico da UPA que limitasse o atendimento no local apenas para urgência e emergência, devido o déficit de médicos, insumos e medicamentos. Quem foi classificado nas áreas de risco verde e azul foi encaminhado ao posto de saúde mais próximo de casa.

Sobre a crise na saúde pública da cidade, Mandetta evita chamar de “crise aguda”, mas “histórica”.

“Dourados passou por grandes mudanças estruturais sem o devido planejamento nos últimos 15 anos. Não houve a devida precaução com o aumento populacional de toda região. Não houve a construção de polos regionais como havia sido previsto, então você acaba colhendo um mau resultado, porque ou não planejou ou planejou e não executou. O que a gente faz agora é procurar amenizar o problema através da reestruturação das estruturas que temos”, afirmou destacando um retorno breve do atendimento público no Hospital Evangélico, melhorias na atenção primária, aumento da oferta de exames complementares, aumento do recurso financeiro, parcerias com o Estado e também ações com base no estudo técnico que deverá ser executado na região.

Esses estudos serão efetivados pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), que hoje também firmou termo de cooperação para criação do Laboratório de Inovação na Atenção Primária.

O projeto prevê que a organização de pesquisa fará um levantamento técnico-científico do atendimento em saúde na atenção básica, oferecendo aos governos municipais, estadual e federal dados importantes que vão otimizar a aplicação de recursos, assim de forma mais assertiva na assistência à população.

Os trabalhos terão cronograma programado entre as partes e devem ser executados nos próximos dois anos.

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