Ministra diz que foi exagero taxar Brasil de vilão em relação as queimadas

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que houve um exagero de outras nações ao taxar o Brasil de vilão em relação as queimadas que estão ocorrendo na Amazônia.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (25), em Bonito, sudoeste de Mato Grosso do Sul, em encontro que reúne os ministros e vice-ministros de agricultura dos países integrantes dos Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina, na reunião dos Brics em Bonito (MS) — Foto: Ricardo Freitas/G1 MS

“Não podemos fugir do tema [queimadas na Amazônia]. Agora temos que achar mecanismos de contenção para que isso não aconteça de maneira descontrolada. Mas eu quero dizer que teve um exagero muito grande sim, e isso é ruim para o nosso país, porque eu acho que você criar medidas mitigatórias para resolver esse problema sim, mas dizer que o Brasil, que é um país que está há 20 anos na vanguarda do que é bom no meio ambiente, de repente, nós somos taxados como vilões do meio ambiente, o que não é verdade”, disse a ministra.

A análise tem o contexto da crise internacional provocada, em agosto, pela alta das queimadas na floresta Amazônica. O presidente da República, Jair Bolsonaro, chegou a trocar farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron, que deixou em aberto a discussão sobre um possível status internacional na Amazônia.

Segundo o o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1º de janeiro até o dia 23 de setembro de 2019, o bioma Amazônia acumula 69.073 focos de queimadas. No mesmo período do ano anterior, foram 46.892 focos, aumento de 47%.

Como exemplo de medidas estipuladas para proteger o meio ambiente no país, Tereza Cristina citou a reserva legal que existe no local onde está sendo realizado o encontro dos Brics, um observatório sócio-ambiental do município, chamado de Eco Sesi.

“Hoje eu explicando aqui para os ministros o exemplo do Eco Sesi, dizendo que ali corre um rio, e que é obrigatório pelo Código Florestal Brasileiro você manter a reserva legal, as áreas de proteção permanentes né. Eles não sabiam disso, porque nos países deles não tem isso. Então, o Brasil é um dos poucos países do mundo que têm um código florestal severo e que os produtores rurais sabem”, destacou.

A ministra destacou ainda que pessoas que desrespeitam a legislação ambiental existem em todos os países, não somente no Brasil, e que todo o trabalho desenvolvido pelo país em defesa do meio ambiente não pode ser desqualificado devido a ação de quem atua na ilegalidade.

Carne brasileira nos EUA
A ministra também falou sobre a espera pela resposta dos Estados Unidos dos resultados da missão técnica que há 3 meses visitou frigoríficos no país para analisar a reabertura do mercado para a carne bovina in natura do Brasil.

“Nós estamos aguardando e para esse mês, pelo menos esse é o combinado. Já fizeram a missão aqui, já fizeram a visita aos frigoríficos e nós estamos aguardando o relatório final, esperando que ele seja favorável para reabertura desse mercado. Ficaram de dar essa reposta entre o final do mês de setembro e outubro”, disse.

Encontro dos Brics

O encontro dos representantes da agricultura dos países membros do Brics termina nesta quinta-feira, quando deverá ser assinada uma declaração conjunta. A reunião está discutindo como a inovação tecnológica pode ajudar a agropecuária a aumentar sua produção para atender a crescente demanda mundial por alimentos.

Participam do encontro: Taolin Zhang, vice-ministro da Agricultura da China, Sergey Levin, vice-ministro da Agricultura da Russia, Tereza Cristina, ministra da Agricultura do Brasil, Mcebisi Skwatsha, vice-ministro da agricultura da Africa do Sul e Bimbadhar Pradhan, vice-ministro da Agricultura da India.

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