Ministério Público denuncia 24 por fraude na cassação de Bernal

TJ-MS deve analisar se aceita ou rejeita denúncia nos próximos dias

A PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) entregou nesta terça-feira (31) denúncia contra 24 pessoas, por suposta participação em esquema criminoso para cassar o prefeito Alcides Bernal (PP).

Documento com 361 páginas é resultado de suposto esquema de propinas.
Documento com 361 páginas é resultado de suposto esquema de propinas.

Na lista elaborada pelo Ministério Público Estadual, com base em investigações conduzidas por força-tarefa especial e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), figuram políticos, empresários e servidores públicos.

Entre os nomes de maior destaque está o ex-governador André Puccinelli (PMDB), o prefeito afastado Gilmar Antunes Olarte (PROS) e o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PTB). Também constam na denúncia o procurador da Câmara Municipal André Scaff, os empresários João Baird, João Amorim, Fabio Machinski e Carlos Naegele.

Foram indiciados ainda o ex-presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB), Flavio Cesar (PSDB), Eduardo Romero (Rede), Gilmar da Cruz (PRTB), Otávio Trad (PTB), Paulo Siufi (PMDB), Airton Saraiva (DEM), Jamal Salem (PR), Waldecy Chocolate (PTB), João Rocha (PSDB), Edson Shimabukuro (PTB), Edil Albuquerque (PTB), Carlão Borges (PSB), e o ex-vereador Alceu Bueno.

Também constam na lista os empresários Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato, responsáveis por apresentar a denúncia que culminou na cassação de Alcides Bernal. Os nomes foram divulgados durante coletiva de imprensa com a participação do Procurador-Geral de Justiça, Paulo Passos, da coordenadora do Gaeco, Cristiane Mourão, e de seu antecessor, o promotor de Justiça Marcos Alex Vera.

Dez meses, 50 depoimentos, mais de 7 mil páginas de documentos e a Operação Coffee Break, deflagrada em julho de 2015, chegou nesta terça-feira (31) ao seu número mais significativo com os denunciados à Justiça por participação numa suposta negociata que, segundo a peça, levou à cassação de Alcides Bernal, no dia 13 de março de 2014. Bernal ficou um ano e meio afastado, sempre repetindo a tese de que fora alvo de um golpe, e voltou ao cargo na véspera do aniversário de Campo Grande do ano passado, 25 de agosto, quando o então chefe do Executivo, Gilmar Olarte, foi afastado, em decisão do Tribunal de Justiça acatando pedido dos promotores responsáveis pela investigação de envolvimento dele no alegado esquema para cassar o ex-aliado.

Durante todo esse período, houve prisões, revelações por meio de escutas e quebra de sigilo de contas e dos telefones, afastamentos de vereadores da Câmara, mas ainda não havia um processo. Tudo que ocorreu nesse período era em fase de investigação, que se encerrou em dezembro do ano passado, e acabou tendo complementos este ano e, agora, com a denúncia, pode virar finalmente ação contra os envolvidos. Isso porque a decisão vai depender da aceitação ou não da peça pelo Tribunal de Justiça.

A investigação foi conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), responsável pelo trabalho de apuração, liderada pelo promotor Marcos Alex Vera.

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