Ministério aponta que 89 douradenses foram resgatados do trabalho escravo

Da Redação

O Ministério do Trabalho e Emprego revelou que 89 douradenses foram resgatados do trabalho escravo nos 15 anos recentes. Em sua maioria homens indígenas (74%), atuavam principalmente no setor agropecuário (92%), sobretudo no cultivo de arroz (84%). O grau de escolaridade mais verificado (38%) é até o quinto ano incompleto.

Maior parte dos douradenses resgatados são índios. Foto: André Bento.

Esses dados constam na nova versão do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas. Eles foram apurados a partir de uma série histórica entre 2003, quando teve início o pagamento do benefício do seguro-desemprego a essas pessoas, até 3 de outubro de 2018.

Nos casos de resgatados nascidos em Dourados, homens com idade entre 18 e 24 anos foram maioria, com 33. Essa mesma faixa etária também teve maior número de mulheres, três.

Entre as ocupações mais frequentes que resultaram em flagrantes, além dos 82 douradenses submetidos a trabalho análogo ao escravo na área agropecuária, três atuavam como pedreiros, um como servente de obras, um como trabalhador volante da agricultura, um carvoeiro e um motorista de caminhão.

Quanto aos setores econômicos mais frequentemente envolvidos, 36 trabalhavam no cultivo de arroz, três na criação de bovinos para corte, um na construção de rodovias de ferrovias, um no cultivo de cana-de-açúcar, um no comércio atacadista de energia elétrica, e um no comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentício.

A maior parte dos douradenses submetidos ao trabalho escravo, 29, revelou ter como escolaridade o quinto ano incompleto. Outros 19 do 6º ao 9º ano incompleto, 16 analfabetos, 7 com o 5º ano completo, três com o fundamental completo, dois com o ensino médio incompleto e um com ensino médio completo.

O Ministério do Trabalho e Emprego alerta que “locais de naturalidade de vítimas apresentam vulnerabilidades em nível de desenvolvimento humano e socioeconômico”. Acrescenta que “no longo prazo, esses fatores (associados a pobreza, baixa escolaridade, desigualdade e violência, entre outros) contribuem para o aliciamento”.

Os dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas revela ainda que entre 2003 e 2018 o número de trabalhadores residentes em Dourados quando houve o resgate chegou a 50.

“Lugares de residência declarada possuem características híbridas. Além de marcados por desigualdades de desenvolvimento humano, renda, disparidades territoriais e inequidades de base identitária (como os municípios de naturalidade), frequentemente são locais de maior dinamismo econômico, ou se localizam proximamente a territórios com esse dinamismo. Tendem, também, a constituir ponto de vulnerabilidade de trabalhadores quanto ao aliciamento”, pontua o relatório.

Já a quantidade de vítimas do trabalho escravo resgatadas em Dourados nesses 15 anos recentes totalizou 69. O último registro remete a 2014, quando quatro pessoas foram flagradas nessas condições.

“Locais de resgate possuem dinamismo produtivo e econômico recente, porém intenso, em que há oferta intermitente de postos de trabalho em ocupações que pagam os menores salários e exigem pouca ou nenhuma qualificação profissional ou educação formal. Isso em geral está aliado a fatores como pobreza, baixa escolaridade, desigualdade e violência, entre outros”, aponta.

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