Milhões de dados pornográficos em maior patamar digital foram pegos pela Operação Luz na Infância

Lúcio Borges

A quarta fase da ‘Operação Luz na Infância’, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (28), em Campo Grande, após quase dois anos da denominada ação, pegou mais acusados de envolvimento com as violações e crimes sexuais, contra crianças e adolescentes. Como já ocorreu desde 2017, quando houve a 1ª fase, a polícia encontrou farto material pornográfico, apesar de muito já apreendido e pelos menos 10 presos. Hoje, somente com um acusado, foi pego cerca de 1 TR (Tera), que corresponde a milhões e é o último patamar de volume de armazenamento de material digital.

O ‘tera pornográfico’ estava com um técnico de informática de 32 anos, no Bairro Vila Nasser, região norte da Capital, onde foi preso durante a deflagração da 4ª Luz na Infância. A operação cumpriu seis mandados em MS, três em Campo Grande, dois em Dourados e um em Três Lagoas. Outras duas pessoas foram presas em Dourados, um serralheiro e um auxiliar de serviços gerais. Os outros dois na Capital, um teve prisão no Bairro Cabreúva e outro não foi divulgado.

Na casa do técnico foi apreendido um computador, que ainda vai passar por perícia, bem como foi verificado ou descoberto que o homem também é suspeito de ter estuprado a própria sobrinha. “O técnico foi levado para a delegacia, assim, como os outros dois homens detidos durante a operação. Na casa dele, os policiais encontraram fotos e vídeos pornográficos, que ele compartilhava e armazenava”, mencionou a delegada Marilia de Brito da Depca (Delegacia Especializada de Atendimento a Criança e ao Adolescente).

A delegada ratificou que o homem ainda é acusado de ter estuprado a sobrinha, quando ela era menor e a coagiu para não contar sobre ele, mas a denunciar o pai. Ela, a jovem já tinha vivido triste situação, que quando criança teria também sido estuprada pelo pai. “Ele, o tio, até levou a menina a delegacia para registrar o boletim de ocorrência, mas segundo informações teria dito a sobrinha para não relatar o estupro que ele havia cometido contra ela. Já quando alcançou a maioridade, a vítima teria ido até a delegacia para denunciar o tio”, disse a titular da Depca.

Outras fases da operação

Em 2017 durante a primeira fase da operação deflagrada na Capital, um advogado de 64 anos e um vendedor de carros de 27 anos foram presos. Três mandados foram cumpridos na Capital, mas apenas duas prisões foram feitas. A Operação aconteceu em todo o Brasil com o objetivo apreender computadores e dispositivos que continham o armazenamento de imagens e vídeos contendo crianças.

Em maio de 2018, nove mandados foram cumpridos.  A segunda fase da Operação Luz da Infância contou com a participação de 2,6 mil policiais civis. As cidades alvos foram a Capital, Naviraí, Glória de Dourados e Dourados. Dos nove mandados de busca e apreensão, se terminou com quatro prisões em Campo Grande – entre elas a do policial civil Paulo Manoel Eugênio Elesbão Silva, 36 anos – e outras três em Dourados, Glória de Dourados e Naviraí.

Em novembro de 2018, mais seis mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, sendo três mandados em Campo Grande e outros nas cidades de Iguatemi e Jardim.

A operação é coordenada pela Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública e, além de Mato Grosso do Sul, também está sendo realizada em outros 25 estados e no Distrito Federal.

Pelo Brasil

Ao menos 106 suspeitos de cometer crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet já tinham sido presos até as 11h30 de hoje (28), na quarta fase da Operação Luz na Infância. As ações ainda estão em andamento e o número deve mudar ao longo do dia.

Além das detenções, policiais civis dos 26 estados e do Distrito Federal estão cumprindo 266 mandados judiciais de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, em todo o país.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala sobre a Operação Luz da Infância 4

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que operações semelhantes voltarão a ser realizadas. “A operação revela os propósitos da criação da Secretaria de Operações Integradas, com todo o poder de coordenação e operações entre as polícias estaduais; entre as polícias estaduais e federais e entre as forças federais”, comentou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. “Já foram feitas operações semelhantes a esta no passado, mas não com esta envergadura. Certamente, vamos realizar novas ações desta espécie”, acrescentou o ministro.

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