Meteorologista analisa às consequências do El Niño para MS

Durante entrevista ao Tribuna Livre, da Capital FM – Foto: Silvio Ferreira

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM, e ao portal Página Brazil, o meteorologista Natálio Abrão, do Centro Meteorológico Anhanguera-Uniderp, falou sobre a aceleração das mudanças climáticas no planeta e em especial no Brasil e em Mato Grosso do Sul. “Mais uma vez, o fenômeno El Niño é o responsável pelo inverno atípico registrado em todo o país. O fenômeno é responsável pelo calor intenso em algumas regiões do Brasil e pela chuva atípica durante o inverno, onde normalmente se registram estiagens prolongadas, como é o caso de Mato Grosso do Sul”, analisou.  “O El Niño, que ocorre em função do aquecimento das águas do Pacífico por períodos que oscilam entre 15 a 18 meses, altera o clima em todo o planeta”, explicou o meteorologista. “E isso aumenta a ocorrência de outros fenômenos, como a formação de temporais, anticiclones tropicais e até tornados”, pontuou.

Agronegócio – Questionado sobre o efeito que essas mudanças drásticas do clima devem representar para a atividade econômica – em especial para a agricultura de Mato Grosso do Sul, que tem sido um contrapeso econômico positivo em um momento em que o resto da economia vive um momento de crise severa -, Abrão avaliou: “O fenômeno acaba tendo efeitos positivos no estado. Se o El Niño gera fenômenos meteorológicos prejudiciais para regiões urbanas, por outro lado, pelo menos para Mato Grosso do Sul, em cerca de dez registros históricos do evento, sete deles se mostraram benéficos para o regime de chuvas necessário para a agricultura do estado”, revelou o meteorologista.

Vista aérea de alagamento na Via Park, em Campo Grande (jan/2012) – Foto: Valmir Guarinão/Arquivo Pessoal)

Regiões urbanas – Já nas regiões urbanas, segundo o meteorologista, “governos e administrações municipais podem tentar minimizar os danos causados pelo aumento da ocorrência de fenômenos meteorológicos como temporais, enxurradas etc”. Abrão considerou que “os governantes não têm como prever a ocorrência deste tipo de fenômeno, por vezes catastróficos, mas é possível adotar políticas ambientais que reduzam de alguma forma os danos causados por eles”.

O meteorologista defendeu “o necessário investimento, pelo poder público, em estrutura de galerias pluviais para o escoamento da água das chuvas e o aumento do rigor na fiscalização de regras já existentes em muitos municípios, sobre a garantia de permeabilidade do solo, tanto em áreas públicas quanto em áreas particulares”. Abrão denunciou que muitas construções ainda são realizadas com a cobertura ou pavimentação completa das áreas, o que canaliza para as vias públicas praticamente toda a água de chuvas intensas, sobrecarregando os sistemas de escoamento e gerando alagamentos, enchentes e até prejuízos graves em moradias em áreas urbanas”.

Outro problema apontado pelo meteorologista, é “o lançamento de empreendimentos habitacionais pelo poder público, sem a conclusão da pavimentação que contemple galerias pluviais. Uma vez entregues sem estes recursos, eles normalmente não são mais concluídos. Então, basta vir a primeira chuva intensa para o caos se instalar nessas comunidades, com alagamentos e a erosão de vias públicas sem pavimentação. Isso pode e deve ser evitado”.

Zonas de calor – Abrão citou um exemplo de como a adoção de novas tecnologias pode ajudar a modificar a realidade urbana. Citando o ponto de maior calor na capital de Mato Grosso do Sul, o cruzamento das ruas Rui Barbosa com Barão do Rio Branco, Abrão demonstrou que mesmo Campo Grande sendo considerada a capital mais arborizada do país, a vegetação da região é debilitada pelo grande fluxo de veículos movidos à diesel (a imensa maioria das linhas de transporte coletivo que atendem o Centro de Campo Grande, passam pelo local). Seja pela vibração causada pelo peso dos veículos (que abala às raízes das árvores), seja pela emissão de poluentes, que obriga a vegetação a se adaptar a grande concentração de poluentes e cresce de forma completamente irregular”.

Opções ambientais – Questionado sobre a possibilidade de adoção de novas tecnologias de transporte – como os ônibus híbridos movidos à hidrogênio, recentemente adotados pelo governo de São Paulo, movidos parcialmente por energia elétrica, como opções para minimizar o dano ambiental -, Abrão considerou: “Os veículos movidos à hidrogênio têm a virtude de aumentar a umidade relativa do ar nos trajetos em que circulam, o que colaboraria para redução da temperatura nos locais pelos quais passam. Essa é uma bandeira importante. Os senhores  do Página Brazil prestam um importante serviço ao meio ambiente e à sociedade ao provocar esse debate”, finalizou.

Silvio Ferreira

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